segunda-feira, 15 de outubro de 2007

de repente

e de repente eu quis que as pessoas não morressem. ficassem congeladas aqui na terra, presas num âmbar invisível. eu que nem a conheci quis que ela ficasse. e que tanto a conheci (sem conhecer) quis também que ficasse. não chore não, por favor, que seu choro tem um ar profético de adeus. eu não quero esse adeus.
de repente eu quis que ela enxergasse. me enxergasse, se enxergasse, já nem sei. assim como eu enxerguei. e vi como ela ficou bonita com os cabelos e roupas novos e como seria ainda mais bonita se ainda fosse minha. dói pensar naquelas três letras juntas, que se dissipam feito as pétalas daquelas florzinhas de soprar. eu quero que vc enxergue, será que é tão difícil assim? eu não quero ser igual a vc. não quero ter de esperar os anos se passarem ou as minhas lágrimas caírem arrependidas. eu não vou me arrepender.
de repente eu quis que tudo voltasse, aquela fé que eu não perdi e só vc reparou. e nem foi só vc. todo mundo viu, acredita? tava escrito em cada entrelinha que aquilo tudo era só um pedido de socorro de quem (e pra quem) acredita de mais. eu continuo a mesma menina dos espelhos, despida dos disfarces que veste dia-a-dia.
de repente eu quis que ela aparecesse. e ela apareceu feito presságio iluminado. estava lá no lugar mais ideal e impróprio e ainda assim continuava brilhando, como eu lhe disse uns tempos atrás. por que é que as pessoas se perdem? e se perdem a dois quarteirões de casa. eu vou parar de culpar vc, vou fazer alguma coisa, foi promessa, palavra de escoteiro, tá feito.
de repente eu quis que tudo acabasse logo. vamos lá, já foi muito tempo perdido nisso! tá nas mãos de Deus, ou dos céus, ou de quem é for que mande nisso. minha parte tá ai, meio incompleta mas no limite. eu tenho mais alguns dias até lá, e umas zilhões de coisas pra esses dias mas eu não vou nem estremecer. "se der, deu" já diziam os filósofos das terras distantes e inimagináveis da minha imaginação.
de repente (e não tão de repente assim) eu te quis. quis como eu só tive algumas vezes (e meia?!) ou como já tive centenas (aproximadamente 570). quis como eu quero todos os dias nesse jeito de te sufocar e me sufocar. até pedir por favor pra querer menos, que querer de mais assim deve fazer mal, não é possível! mas não faz não, e engrandece. e eu continuo querendo e re-querendo e requerendo.
de repente, não mais que de repente, eu fiz um monte de quereres num papel-tela. e perdi o sono e ganhei o sono, na caixa verde das maçãs mordidas que veio com o horário de verão e um monte de sonhos, melancolias e pedidos dentro.

5 comentários:

Aline disse...

eu sabia que aquela descrença toda era só uma recaída. você não sabe o quanto eu fico feliz!

e sim, é comum as pessoas( como eu e vc) que querem muito se descepcionarem muito (seja com a vida, com o país ou com nós mesmas) e acharem que não querem mais nada. ainda bem que é só achismo.

de repente você volta aqui e escreve com o coração de novo e eu de novo fico encantanda. *-*

de repente eu quis que todos os seus 'de repente eu quis' se tornassem 'de repente aconteceu'. e vão, tenho certeza.

:)

Gabriel disse...

Essa é a imagem que conheci a tão poco tempo, do objeto que já conhecia a um bom tempo, não apenas uma imagem criada em uma aula de redação, mas uma imagem que veio la do fundo de seu coraçao.

Choro de adeus é difícil suporta-lo, mas e se, de repente, nós o transformarmos em um surriso de vc sempre estará conosco, seria o suficiente?Talvez não, mas eu tenho certeza de que ela sentira mais forte para o que der e vier.

É, de repente ela veio, mas com o msm "de repente" ela se perdeu, perto de casa ainda. E essa "de repente" felicidade de reencotra-la, por um momento quase se transformou no oposto. Ela mi disse que quis ir embora. Que graça teria pra mim, se ela fosse sem me ver? O "de repente" de sua chegada, nao teria sentido.

Sabe o pior de tudu?De repente, essas merdas aconteceram no mesmo dia. Uma tentativa frustrante do destino em acabar com meu sabado, pq por mais que essas coisas não aconteceram comigo, vc sabe muito bem que nós sentimos as mesmas dores que elas, não com a mesma intensidade, mas sentimos e não há meios de esquivar, ou talvez haja, mas não queremos.

Vc mi fez pensar muito sabia ^^ ? Pq a garota dos espelhos so mostra aquelas imagens que ela quer que os outros vejão. E eu adoro esse seu ar de mistério... pq talvez, é um vício a mais!=]
Beeijo DeH, grande amiga, grande poeta, grande objeto!

bruno:cunha disse...

uau!
-interj., exclamação que denota admiração, estupefamento ou surpresa. também pode ser usada para expressar o quão maravilhoso é o dom de colocar o coração em palavras, tipo como a Deh sabe fazer.

gAlan disse...

arrepiante.

bru disse...

aiquesaudadeeedeeeeeh >.<