sexta-feira, 24 de julho de 2009

em carne-viva

ele tinha se impregnado em todos os lugares. da casa, da rua, dela mesma. tudo lembrava a ele: as vagas na rua, a praça, as luzes, os medos, o vizinho, o elevador, o espelho do elevador, o sofá da sala, a caneca que cabia mais, as louças pra lavar no domingo, a água da geladeira, o espelho do banheiro, a escova de dente dentro do armário, as fotos no mural, o filtro no teto, os livros, o remédio, as roupas, o colar que não estava mais no pescoço, o celular, os números, as gavetas, os planos, os medos, a bolsa nova e as velhas, a foto na carteira, o fundo de tela do computador, os presentes, os sonhos, os travesseiros, os abraços telepáticos, os filhos que iriam ter. o silêncio. as palavras. a espera. a esperança. a vontade. os medos. e o amor.

4 comentários:

Gabriel disse...

completamente

João Paulo disse...

"a caneca que cabe mais", "o colar que não estava no pescoço", "o fundo de tela do computador"... Que mágico!

É impressionante sua capacidade de captar essas coisas assim, da vida. :)

Grande abraço!

nath disse...

só te conhecendo pra saber..

nath disse...

só te conhecendo pra saber..