o que eu queria mesmo nem eu sei. mas deve ter gosto de chocolate e café. e talvez um pouco de mel também. tem essa vontade louca de querer tanto ao mesmo tempo. e de quase sempre não querer nada. nada, fora todo o resto.
tem sempre um buraco negro que se abre no meu peito pelas coisas que eu perdi sem nunca ter tido. talvez seja uma espécie de desesperança, ou apenas uma dose de pessimismo e realidade que me contam a verdade desse nunca ter tido. pessimismo e realidade andam quase sempre juntos. e não é que eu seja uma pessoa pessimista, mas é que as vezes eu sou mesmo assim, preto no branco.
tem ainda as coisas que eu tenho, as que eu não tenho, as que eu minto ter. todas elas eu quero. todas, absolutamente todas, por completo, recheadas até a borda. e talvez seja só pra depois ter me arrependido do querer. ou talvez por simples necessidade de se querer alguma coisa, essa necessidade que funciona como guincho, como uma corda que leva a gente pra frente. não querer nada deve ser sem graça porque a gente acaba ficando parado no lugar.
é por isso que eu quero tanto minhas bombas extra de ar, quero vira-tempos pra poder ser quatro de uma vez, quero minha casa, quero colo de mãe, quero fazer alguma coisa que seja verdade, quero escrever alguma coisa que mude a vida de alguém, quero tomar conta de tudo sem ser uma rabugenta por causa disso, quero ser menos chata e boazinha, quero falar bem menos, escrever mais e parar de fantasiar as coisas.
o problema nessa história de querer é que sempre tem umas horas, umas horas tristes e demoradas, onde querer tanto assim incomoda. e dói. e fere porque o espelho reflete as suas duas mãos atadas, sua boca trancada e o seu peito então, nem se fala! ele já é quase que só buraco negro.
e hoje eu não quero ter forças pra procurar meus lápis e canetas coloridos pra pintá-lo. eu não quero querer nada a não ser dormir. eu não quero sair, nem me mexer, por favor me deixem só aqui na minha cama escorregando com o meu edredom cor de rosa, a minha tosse que não passa e meus livros novos me olhando de dentro do armário com cara de dó. eu não quero música nem poesia. e nem ninguém por perto. ninguém que não me abrace até fazer passar todo o meu mal e toda a fome do mundo, que não me diga o quanto não se importa que eu chore e que meu nariz escorra tanto enquanto eu choro, que não entenda quando eu acordar no meio da noite querendo recomeçar toda essa crise, e que não me ache uma louca por acordar amanhã sem nem me lembrar de toda a falta de ar que eu senti hoje.
sábado, 20 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
paradoxo
..Eu vejo em você um paradoxo desesperado. Você é humilde a tal ponto de achar que não consegue nada que realmente quer, e sem querer você mostra um ar superior, que não aceita falhas, que não aceita perder (por mais normal e comum que seja). Pára de se achar pior em tudo, você só é um ser humano, em algumas situações mais vulnerável, em outras mais forte do que eu poderia acreditar. Pára de justificar a vida das pessoas e não facilitar a sua. Permita-se errar, por favor, porque se não sua vida vai ser uma eterna luta consigo mesma."
eu acho que ela tem absoluta razão quando diz que vê em mim um paradoxo desesperado. essa foi a coisa mais sensata que eu já ouvi sobre mim mesma. e foi bom ler isso porque me fez ver que não sou só eu que tenho consciência disto em mim. talvez ela, e até eu, não saibamos a dimensão, mas a exatidão disto eu sei. e ela me pegou de jeito.
(*ela: a exatidão e a dona da poesia no puxão de orelha, da inocência mais sincera, da pureza mais sensibilizante; minha irmã de coração e parceira pra sempre)
eu acho que ela tem absoluta razão quando diz que vê em mim um paradoxo desesperado. essa foi a coisa mais sensata que eu já ouvi sobre mim mesma. e foi bom ler isso porque me fez ver que não sou só eu que tenho consciência disto em mim. talvez ela, e até eu, não saibamos a dimensão, mas a exatidão disto eu sei. e ela me pegou de jeito.
(*ela: a exatidão e a dona da poesia no puxão de orelha, da inocência mais sincera, da pureza mais sensibilizante; minha irmã de coração e parceira pra sempre)
domingo, 23 de novembro de 2008
três noites mal dormidas
três noites mal dormidas tornam as coisas distantes, distorcidas e um pouco disformes.
a semana começa de perto e apertada, o tempo parece curto e ainda mais curto e tão curto que poderia fácil e delicadamente me engolir. dezenas de coisas para ser entregues, centenas por aprender e provar que foram aprendidas com mérito e êxito, duas palavras que eu não gosto muito não. eu poderia não fazer outro texto sobre o tempo, mas deve ser o surrealismo das coisas, das noites, da falta de sono quando o sono bate, das distorções das coisas e cores abstratas que eu nunca pintaria mas sei ouvir porque ouço a tanto tempo que é pouco tempo, já que como eu já disse o tempo anda curto. mas acontece que tempo não anda, tempo corre. ele é estúpido e totalmente desprendido e independente de mim e só vai devagar quando a gente precisa dele correndo como numa animação de ponteiros de relógio passando na velocidade da luz.
ele só desliza feito lesma quando se tem saudade.
a semana começa de perto e apertada, o tempo parece curto e ainda mais curto e tão curto que poderia fácil e delicadamente me engolir. dezenas de coisas para ser entregues, centenas por aprender e provar que foram aprendidas com mérito e êxito, duas palavras que eu não gosto muito não. eu poderia não fazer outro texto sobre o tempo, mas deve ser o surrealismo das coisas, das noites, da falta de sono quando o sono bate, das distorções das coisas e cores abstratas que eu nunca pintaria mas sei ouvir porque ouço a tanto tempo que é pouco tempo, já que como eu já disse o tempo anda curto. mas acontece que tempo não anda, tempo corre. ele é estúpido e totalmente desprendido e independente de mim e só vai devagar quando a gente precisa dele correndo como numa animação de ponteiros de relógio passando na velocidade da luz.
ele só desliza feito lesma quando se tem saudade.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
o não saber e a falta de cor
(eu bem tentei.)
mas não, você não era o príncipe encantado que eu pensei que era. a não ser que príncipes venham acompanhados de decepções, não-me-toques e pés-atrás. depois eu vi que de fato você não era o tal príncipe porque uma versão mais aprimorada do que isso poderia ser me apareceu. sem cavalo branco nem nada, e sem que eu sequer imaginasse sua identidade secreta.
de você sobrou um sentimento tão tão profundo que chegava a doer. doía de compaixão por você por mim e pelas nossas dores intrínsecas e fingidas. doía de uma coisa tão densa que eu nem sei o nome, mas que me mandava estar sempre por perto. e foi isso que eu fiz. estive sempre ao seu alcance, nem sempre ao meu. e ouvi todas as suas histórias e me apaixonei por cada uma delas e por todas as suas contas de cabeça e cada um dos teus desenhos sem cor.
tantos desenhos sem cor pra nada.
pra serem jogados fora, cuspidos pelo ralo, abandonados em esquinas tão distantes das nossas casas. tão distantes que já é quase impossível lembrar o caminho de volta.
eu não sei mais o nome dos livros que você queria me indicar, nem a cor das suas olheiras, nem seu abraço na blusa de frio, nem se você ainda sofre e finge que não e vice-versa, nem seu ceticismo falso e sua falta de amor mais falsa ainda, porque depois de um tempo você não sabia mais fingir. agora eu sei bem da distância, da falta que eu ainda sinto por mais que me proíba dela, e de todos os dias em que eu me pergunto como é que você pôde se perder de mim, como você pôde ser tão fraco e ainda mais hipócrita do que já era.
eu já nem sei por onde você anda ou qual máscara você vestiu dessa vez. já nem sei de mim, nem de você, e nem do teu coração leviano que não sabe o que fez do meu.
mas não, você não era o príncipe encantado que eu pensei que era. a não ser que príncipes venham acompanhados de decepções, não-me-toques e pés-atrás. depois eu vi que de fato você não era o tal príncipe porque uma versão mais aprimorada do que isso poderia ser me apareceu. sem cavalo branco nem nada, e sem que eu sequer imaginasse sua identidade secreta.
de você sobrou um sentimento tão tão profundo que chegava a doer. doía de compaixão por você por mim e pelas nossas dores intrínsecas e fingidas. doía de uma coisa tão densa que eu nem sei o nome, mas que me mandava estar sempre por perto. e foi isso que eu fiz. estive sempre ao seu alcance, nem sempre ao meu. e ouvi todas as suas histórias e me apaixonei por cada uma delas e por todas as suas contas de cabeça e cada um dos teus desenhos sem cor.
tantos desenhos sem cor pra nada.
pra serem jogados fora, cuspidos pelo ralo, abandonados em esquinas tão distantes das nossas casas. tão distantes que já é quase impossível lembrar o caminho de volta.
eu não sei mais o nome dos livros que você queria me indicar, nem a cor das suas olheiras, nem seu abraço na blusa de frio, nem se você ainda sofre e finge que não e vice-versa, nem seu ceticismo falso e sua falta de amor mais falsa ainda, porque depois de um tempo você não sabia mais fingir. agora eu sei bem da distância, da falta que eu ainda sinto por mais que me proíba dela, e de todos os dias em que eu me pergunto como é que você pôde se perder de mim, como você pôde ser tão fraco e ainda mais hipócrita do que já era.
eu já nem sei por onde você anda ou qual máscara você vestiu dessa vez. já nem sei de mim, nem de você, e nem do teu coração leviano que não sabe o que fez do meu.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
porta-guardanapos
eu fui. afinal, desde quando eu sou de dar pra trás? ou pelo menos era o que eu teria dito se você também estivesse lá. teria dito exatamente isso, sorrindo nervoso e gesticulando engraçado. eu fui, como o prometido como o combinado como tudo tinha sido tão planejado, tão milimetricamente calculado que só poderia não dar certo. eu não acho que tenha dado errado. talvez, afinal, tenha sido essa a sua intenção. de que eu fosse pra me encontrar, não com você, mas comigo. pra eu mesma conhecer meu vestido comprido, minhas sandálias baixas, minha bolsa sem cor e meus cabelos coloridos. talvez mesmo antes, você já quisesse que eu conhecesse meu capuccino com chocolate e contasse todas as pintas das minhas mãos enquanto esperava por você. você me conhecia o bastante pra saber que eu não gostaria de estar ali sozinha, mesmo quando eu dizia que era suficiente e independente pra isso. e aí você quis me deixar ali sozinha, de propósito, pra ver se eu esperaria, pra ver se eu fugiria, pra ver se eu de fato poderia ser assim, só. ou talvez você estivesse ali. me olhando pelos vãos de porta, pelas frestas de luz, escondido atrás das mesas ou pilastras que se colocavam na distância que você construiu entre nós. tão tipicamente você... eu poderia ter te procurado pelos cantos, ter perguntado se alguém tinha te visto, ter deixado a conta pendurada no teu nome. eu poderia ter escrito um poema com teu nome. poderia ter ligado, escrito um anúncio no jornal. eu juro que fiquei ali, sentada, como você me pediu, quase uma pose pra retrato. engolindo aquele cigarro todo. aquele medo todo de você vir. aquela saudade que eu nunca tive, mas que refletia no porta-guardanapos.
eu poderia não ter ido. mas como é que eu ia saber?
eu poderia não ter ido. mas como é que eu ia saber?
terça-feira, 2 de setembro de 2008
em garrafas
todas as minhas palavras estão presas em garrafas. engarrafadas.
e todas as garrafas estão guardadas numa mesma estante, alta e comprida.
às vezes eu estico ao máximo as minhas mãos para poder alcançá-las; às vezes eu fujo delas.
cuspo as palavras que fervilham em mim e as exponho todas, nuas cruas secas feias e frias. ficam todas ali em cima da mesa, gritando por mim. escolho as que não me engasgam, ou as que me engasgam mais, e as engulo outra vez. bebo-as delicadamente. degusto cada sílaba, cada som, cada primeira intenção de significado. é preciso digerí-las. e aí sim elas estão prontas.
vomito-as lindas, com linhas, entrelinhas, linhas tortas. e elas dançam sem medo e com vontade, giram, jogam os braços pro ar, sentem a sutileza dos ventos entre seus contornos.
e aí, nesse momento de encanto estrelar eu as absorvo. e quem sabe muito duramente, as entendo. só às vezes entendo porque vieram, mas sempre sei que estão ali. me fazem companhia noite a dentro, dia a fora. perpetuam-se e propagam-se no mesmo ar de que foram feitas. seguro suas mãozinhas frágeis, como numa ciranda, e as aprisiono ali: nas garrafas.
que é pra poder vê-las de todo e qualquer lugar que eu vá. que é pra poder deixá-las em paz. que é pra poder deixá-las brilhar.
e todas as garrafas estão guardadas numa mesma estante, alta e comprida.
às vezes eu estico ao máximo as minhas mãos para poder alcançá-las; às vezes eu fujo delas.
cuspo as palavras que fervilham em mim e as exponho todas, nuas cruas secas feias e frias. ficam todas ali em cima da mesa, gritando por mim. escolho as que não me engasgam, ou as que me engasgam mais, e as engulo outra vez. bebo-as delicadamente. degusto cada sílaba, cada som, cada primeira intenção de significado. é preciso digerí-las. e aí sim elas estão prontas.
vomito-as lindas, com linhas, entrelinhas, linhas tortas. e elas dançam sem medo e com vontade, giram, jogam os braços pro ar, sentem a sutileza dos ventos entre seus contornos.
e aí, nesse momento de encanto estrelar eu as absorvo. e quem sabe muito duramente, as entendo. só às vezes entendo porque vieram, mas sempre sei que estão ali. me fazem companhia noite a dentro, dia a fora. perpetuam-se e propagam-se no mesmo ar de que foram feitas. seguro suas mãozinhas frágeis, como numa ciranda, e as aprisiono ali: nas garrafas.
que é pra poder vê-las de todo e qualquer lugar que eu vá. que é pra poder deixá-las em paz. que é pra poder deixá-las brilhar.
domingo, 27 de julho de 2008
milhões
devem ter milhões de luzinhas piscando ao meu redor mas eu não quero atender nenhuma delas. nem ouví-las com seus barulhos incômodos e estridentes da tecnologia. devem ter milhões de portas abertas, milhões de braços estendidos, milhões de estrelas caindo.
a questão é entrar ou não entrar, abraçar ou não abraçar, escolher, pedir, aceitar, e mais todos aqueles verbos em milhões de tempos que eu não aprendi.
esqueceram de me ensinar qual era o caminho mais curto, o mais fácil, o mais melódico. ou ensinaram, mas como eu não aprendo, eu acabo sempre escolhendo o mais difícil, o mais doído, o mais oscilante. do riso mais puro e fácil aos olhos cheios de água mais carcomidos que se poderia encontrar, isso é oscilar. e eu oscilo como toda a minha pulsação, como todos os meus perdões e culpas, como todas as minhas vontades de não-você e de não me sentir tão cansada, com tanto sono e tanta exaustão das coisas que eu mais quero.
numas vezes dá vontade de mim. noutras vezes dá vontade de nada.
a questão é entrar ou não entrar, abraçar ou não abraçar, escolher, pedir, aceitar, e mais todos aqueles verbos em milhões de tempos que eu não aprendi.
esqueceram de me ensinar qual era o caminho mais curto, o mais fácil, o mais melódico. ou ensinaram, mas como eu não aprendo, eu acabo sempre escolhendo o mais difícil, o mais doído, o mais oscilante. do riso mais puro e fácil aos olhos cheios de água mais carcomidos que se poderia encontrar, isso é oscilar. e eu oscilo como toda a minha pulsação, como todos os meus perdões e culpas, como todas as minhas vontades de não-você e de não me sentir tão cansada, com tanto sono e tanta exaustão das coisas que eu mais quero.
numas vezes dá vontade de mim. noutras vezes dá vontade de nada.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
um, dois.. três
não acorda. não acorda não acorda. sente o cansaço doer o corpo, sente a dor latejar. da alma. não queira fazer sentido, eu não quero fazer sentido eu só quero deixar doer. deixa doer até que a alma afogue. afogue, respire respire, e volte.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
o anacrônico
acordou num susto e sentou-se na cama. graças a deus foi só um sonho! não gostava desses sonhos tão reais, devia existir sempre aquela separação do inconsciente que te faz ter consciência de que aquilo não é de fato real é só obra dos seus pensamentos que não paravam nem na hora de dormir, era tudo consciente e inconsciente brincando de pique-pega. ah, calma! precisava se acalmar, respirar fundo. rodou a cabeça de olhos fechados, respirou lentamennnte. esticou os braços, espreguiçou. esticou os pés, sentiu que eles pesavam. pesavam. pensavam(?). pousou os olhos num canto do quarto e ficou. pronto, agora sim. agora passou.
levantou o corpo devagar. não era mesmo que seus pés pesavam?! a cabeça pesava também. definitivamente, precisava colocar seu filtro dos sonhos no sol. precisava devolver o livro pra biblioteca, mandar o email, comprar as frutas, visitar a mãe. precisava de um banho quente, sem se deixar ferver. despiu-se devagar. era toda devagar pela manhã. ligou o chuveiro. prendeu os cabelos com uma caneta. pôs os pés na água. podia até ouví-los chiar. olhou. olhou de novo. ai deus! chegou mais perto. vê direito! ai deus. cumprira-se. metamorfoseara-se.
nasceram as tais asas nos pés.
levantou o corpo devagar. não era mesmo que seus pés pesavam?! a cabeça pesava também. definitivamente, precisava colocar seu filtro dos sonhos no sol. precisava devolver o livro pra biblioteca, mandar o email, comprar as frutas, visitar a mãe. precisava de um banho quente, sem se deixar ferver. despiu-se devagar. era toda devagar pela manhã. ligou o chuveiro. prendeu os cabelos com uma caneta. pôs os pés na água. podia até ouví-los chiar. olhou. olhou de novo. ai deus! chegou mais perto. vê direito! ai deus. cumprira-se. metamorfoseara-se.
nasceram as tais asas nos pés.
domingo, 8 de junho de 2008
o mínimo
ela acordava e permanecia de olhos fechados, que era pra se adaptar. depois trançava os cabelos entre os dedos, entre os ombros e entre os próprios cabelos, e pensava que seria (mais uma vez) mais um dia igual: café forte e pão com manteiga, feijão com arroz e bife e batata, pão de queijo sem mais nada, sopa do que tiver. e os entreatos, é claro. mas para ela, eles eram ainda mais dispensáveis e desinteressantes, por serem tão exatamente sempre-iguais.
o que ela queria mesmo? aah, era poder caminhar do lado contrário da rua. ler o seu livro preferido pela décima nona vez, no meio de uma praça, de papo pro ar. sentar numa janela e ver a grama lááá embaixo, e sentir o vento entre seus pés e o sol entre seus cabelos soltos. 'pegar carona numa cauda de cometa' e contar todas as estrelas do céu sem ter medo das verrugas nos dedos. ela queria encontrar o pote de ouro atrás do arco-íris. ou o amor atrás de uma árvore.
o que ela queria mesmo? aah, era poder caminhar do lado contrário da rua. ler o seu livro preferido pela décima nona vez, no meio de uma praça, de papo pro ar. sentar numa janela e ver a grama lááá embaixo, e sentir o vento entre seus pés e o sol entre seus cabelos soltos. 'pegar carona numa cauda de cometa' e contar todas as estrelas do céu sem ter medo das verrugas nos dedos. ela queria encontrar o pote de ouro atrás do arco-íris. ou o amor atrás de uma árvore.
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