e de repente eu quis que as pessoas não morressem. ficassem congeladas aqui na terra, presas num âmbar invisível. eu que nem a conheci quis que ela ficasse. e que tanto a conheci (sem conhecer) quis também que ficasse. não chore não, por favor, que seu choro tem um ar profético de adeus. eu não quero esse adeus.
de repente eu quis que ela enxergasse. me enxergasse, se enxergasse, já nem sei. assim como eu enxerguei. e vi como ela ficou bonita com os cabelos e roupas novos e como seria ainda mais bonita se ainda fosse minha. dói pensar naquelas três letras juntas, que se dissipam feito as pétalas daquelas florzinhas de soprar. eu quero que vc enxergue, será que é tão difícil assim? eu não quero ser igual a vc. não quero ter de esperar os anos se passarem ou as minhas lágrimas caírem arrependidas. eu não vou me arrepender.
de repente eu quis que tudo voltasse, aquela fé que eu não perdi e só vc reparou. e nem foi só vc. todo mundo viu, acredita? tava escrito em cada entrelinha que aquilo tudo era só um pedido de socorro de quem (e pra quem) acredita de mais. eu continuo a mesma menina dos espelhos, despida dos disfarces que veste dia-a-dia.
de repente eu quis que ela aparecesse. e ela apareceu feito presságio iluminado. estava lá no lugar mais ideal e impróprio e ainda assim continuava brilhando, como eu lhe disse uns tempos atrás. por que é que as pessoas se perdem? e se perdem a dois quarteirões de casa. eu vou parar de culpar vc, vou fazer alguma coisa, foi promessa, palavra de escoteiro, tá feito.
de repente eu quis que tudo acabasse logo. vamos lá, já foi muito tempo perdido nisso! tá nas mãos de Deus, ou dos céus, ou de quem é for que mande nisso. minha parte tá ai, meio incompleta mas no limite. eu tenho mais alguns dias até lá, e umas zilhões de coisas pra esses dias mas eu não vou nem estremecer. "se der, deu" já diziam os filósofos das terras distantes e inimagináveis da minha imaginação.
de repente (e não tão de repente assim) eu te quis. quis como eu só tive algumas vezes (e meia?!) ou como já tive centenas (aproximadamente 570). quis como eu quero todos os dias nesse jeito de te sufocar e me sufocar. até pedir por favor pra querer menos, que querer de mais assim deve fazer mal, não é possível! mas não faz não, e engrandece. e eu continuo querendo e re-querendo e requerendo.
de repente, não mais que de repente, eu fiz um monte de quereres num papel-tela. e perdi o sono e ganhei o sono, na caixa verde das maçãs mordidas que veio com o horário de verão e um monte de sonhos, melancolias e pedidos dentro.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
des-crença
dói. dói horrores, dói ainda mais minha gastrite, dói até o rim. e se eles cansaram... eu também cansei. cansei exatamente porque dói. eu não quero mais ver, nem ouvir. eu quero ignorar todos os jornais e telejornais e programas políticos. quero esquecer. quero perder a consciência. quero urgente, por favor!
não dá mais pra tentar ser diferente do comum, onde o comum é essa alienação fingida. melhor fingir que não ter. eu quero ter, quero me alienar. porque quando se pára (e pensa) essa desgraça em cadeia dói, ela afeta até meus filhos que ainda não foram feitos e eu nem sei mais se serão, porque eu não quero essa desgraça pra eles. e se eu desisto é porque perdi a fé. eu não enxergo mais uma salvação, uma solução, uma saída. não existe mais nem a esperança longíqua daquele comunismo que me soa tão utópico. não tem mais nem mesmo os bons e velhos hippies, hoje eles são só um bando de maconheiros, e olhe lá. todo mundo se contaminou. ou morreu. porque os bons morrem sempre jovens, as grande idéias morrem jovens e a esperança morre no jovem.
minha irmã tem mesmo absoluta razão, o que há é ser má. sendo má eu fico viva e me corrompo também.
não dá mais pra tentar ser diferente do comum, onde o comum é essa alienação fingida. melhor fingir que não ter. eu quero ter, quero me alienar. porque quando se pára (e pensa) essa desgraça em cadeia dói, ela afeta até meus filhos que ainda não foram feitos e eu nem sei mais se serão, porque eu não quero essa desgraça pra eles. e se eu desisto é porque perdi a fé. eu não enxergo mais uma salvação, uma solução, uma saída. não existe mais nem a esperança longíqua daquele comunismo que me soa tão utópico. não tem mais nem mesmo os bons e velhos hippies, hoje eles são só um bando de maconheiros, e olhe lá. todo mundo se contaminou. ou morreu. porque os bons morrem sempre jovens, as grande idéias morrem jovens e a esperança morre no jovem.
minha irmã tem mesmo absoluta razão, o que há é ser má. sendo má eu fico viva e me corrompo também.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
pingo
e tá tudo tão quente aqui. tão tão tão quente que dá até pra desistir. a gente desiste de pensar porque pensar também cansa no calor. pensar derrete. e eu vou derretendo pelas mãos, pelos pés, pelos cabelos. tudo pinga. pinga a inscrição feita, que agora não dá mais pra mudar. pingam as lágrimas que caíram ontem, junto ao suor, feitas de tanto sentimento junto, misturado num liquidificador mental. toda a insegurança, o medo, todas as dores e pesos na consciência, desceram todos eles juntos, todos pingaram de uma vez. pingou forte o ciúmes, latejante, escaldante. o ciúmes menos feio e mais bonito de todos. pingou tanta saudade. saudade do que vai embora, do que não voltou, do que ainda não veio. pingou cintilante o maior amor do mundo, que eu teimo em sentir que sinto.
pingou, escorreu por tudo quanto pôde e despencou penhasco abaixo. furta-cor feito bolha de sabão, feito confusão, feito mistura. feito a água mais pura que eu já pude beber - e bebo, pra repor tudo uma outra vez e pingar mais.
"doentes do coração, dançavam na enfermaria."
pingou, escorreu por tudo quanto pôde e despencou penhasco abaixo. furta-cor feito bolha de sabão, feito confusão, feito mistura. feito a água mais pura que eu já pude beber - e bebo, pra repor tudo uma outra vez e pingar mais.
"doentes do coração, dançavam na enfermaria."
domingo, 9 de setembro de 2007
motivo
Eu ligo o computador pra escrever e só me sai sentimentalismo. Nesse aspecto, eu pareço a Tati Bernardi com essa obsessão pela tecla A. Continuando o plágio então, chega. Vamos dar um tempo pra pobre tecla gasta. Eu continuo não gostando de maiúsculas, e sendo intimista demais e usando a primeira pessoa pra tudo, porque também, não sejamos tão radicais. O caso é que me apareceu bordado em letras de revista um velho novo motivo.
Eu ando mesmo entupida dessas aulas de humanas. Se tem alguma coisa boa, estupidamente boa, nesse terceiro ano, é isso. Esses zilhões de aulas que me entopem de informação e de um conhecimento que quase ninguém mais quer saber. E eu acabo falando pro vento que não sou dessa geração. Disse e redisse: eu queria mesmo era sair por ai com flores no cabelo cantando Beatles e Janis; queria um grupo anti-ditatorial, anti-censura, anti-opressões; queria ter a cara pintada pra tirar o presidente do poder. Mas o fato é que ninguém faz nada. E ninguém faz a revolução sozinho. Eu olho pro lado e só vejo desinteresse. Dos meus amigos, eu contaria no máximo uns dois. O resto é só palavra. E talvez, até mesmo eu. Como diria o orkut, eu faço parte de um grupo de revolucionários preguiçosos. Que passam o dia inteiro olhando comunidades do orkut e pensando como seria bonito se alguém fizesse alguma coisa. Um bando de adolescentes de classe média com nada, ou pouca coisa, na cabeça. E talvez eu até seja um desses hipócritas que tem gritado cansaço. Cansados... Cansados de quê? De ficarmos parados, braços cruzados, assistindo o Bonner anunciar mais miséria, mais corrupção, mais desgraça? É, desgraça, desgraça mesmo, essa palavra feia. Porque tá tudo feio por aqui.
Eu morro de medo de ter filhos. Eu não quero que eles vivam no caos que o mundo vai virar. Não que já não seja, mas tudo tende a piorar. Eu acredito sim no colapso do sistema, no fim do capitalismo. Mas quando um sistema cai, o mundo desmorona. Demora séculos pra se readaptar. E isso sem falar nas causas ambientais. Eles não vão ter água potável, nem ar puro, nem Amazônia, nem estrelas pra contar, e nem paz. A não ser que as coisas sejam revertidas a tempo. Porque eu não acredito que ainda haja tempo. E não é pessimismo da minha parte não, desculpa. É realismo. É como eu li na Carta Capital, aqueles que não se contentam com a mediocridade e a injustiça são sempre considerados pessimistas. Deveriam existir muito mais pessimistas então.
Meus professores têm dito que é tudo falta de ideologia. Eu concordo. Falta ideologia pra maioria, e coragem pros poucos que já tem. Essa é uma das razões da minha escolha maldita. Meu pai estava completamente certo, eu só quero ser igual o Cazuza. Eu sou impregnada dessa mania nojenta de ideais. Eu quero botar meu bloco na rua, e escancarar a verdade feito um tapa na cara de cada um de vocês. Eu quero deixar de preguiça e ler todos os Marx e Neruda e Pessoa que eu puder, pra ter alguma coisa pra falar. Porque eu quero falar tanto, eu quero gritar tanto, eu quero escrever tanto a letra A, que já fico rouca antes da hora.
Eu ando mesmo entupida dessas aulas de humanas. Se tem alguma coisa boa, estupidamente boa, nesse terceiro ano, é isso. Esses zilhões de aulas que me entopem de informação e de um conhecimento que quase ninguém mais quer saber. E eu acabo falando pro vento que não sou dessa geração. Disse e redisse: eu queria mesmo era sair por ai com flores no cabelo cantando Beatles e Janis; queria um grupo anti-ditatorial, anti-censura, anti-opressões; queria ter a cara pintada pra tirar o presidente do poder. Mas o fato é que ninguém faz nada. E ninguém faz a revolução sozinho. Eu olho pro lado e só vejo desinteresse. Dos meus amigos, eu contaria no máximo uns dois. O resto é só palavra. E talvez, até mesmo eu. Como diria o orkut, eu faço parte de um grupo de revolucionários preguiçosos. Que passam o dia inteiro olhando comunidades do orkut e pensando como seria bonito se alguém fizesse alguma coisa. Um bando de adolescentes de classe média com nada, ou pouca coisa, na cabeça. E talvez eu até seja um desses hipócritas que tem gritado cansaço. Cansados... Cansados de quê? De ficarmos parados, braços cruzados, assistindo o Bonner anunciar mais miséria, mais corrupção, mais desgraça? É, desgraça, desgraça mesmo, essa palavra feia. Porque tá tudo feio por aqui.
Eu morro de medo de ter filhos. Eu não quero que eles vivam no caos que o mundo vai virar. Não que já não seja, mas tudo tende a piorar. Eu acredito sim no colapso do sistema, no fim do capitalismo. Mas quando um sistema cai, o mundo desmorona. Demora séculos pra se readaptar. E isso sem falar nas causas ambientais. Eles não vão ter água potável, nem ar puro, nem Amazônia, nem estrelas pra contar, e nem paz. A não ser que as coisas sejam revertidas a tempo. Porque eu não acredito que ainda haja tempo. E não é pessimismo da minha parte não, desculpa. É realismo. É como eu li na Carta Capital, aqueles que não se contentam com a mediocridade e a injustiça são sempre considerados pessimistas. Deveriam existir muito mais pessimistas então.
Meus professores têm dito que é tudo falta de ideologia. Eu concordo. Falta ideologia pra maioria, e coragem pros poucos que já tem. Essa é uma das razões da minha escolha maldita. Meu pai estava completamente certo, eu só quero ser igual o Cazuza. Eu sou impregnada dessa mania nojenta de ideais. Eu quero botar meu bloco na rua, e escancarar a verdade feito um tapa na cara de cada um de vocês. Eu quero deixar de preguiça e ler todos os Marx e Neruda e Pessoa que eu puder, pra ter alguma coisa pra falar. Porque eu quero falar tanto, eu quero gritar tanto, eu quero escrever tanto a letra A, que já fico rouca antes da hora.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
setembro
Ficou ali sentada, parada, estática. Ela, sua saia gigantesca e seus cabelos vermelhos. O único movimento permitido era o da fumaça daquele último cigarro. Tinha um corpo alegre, uma expressão densa, um interior extenso.
Ele chegou com suas sobrancelhas grossas e negras e um olhar de menino perdido. Típico. Espremeu os olhos pra tentar se habituar à pouca luz, fez uma cara de quem detesta estar ali e foi até o balcão. Pediu uma água e esperou.
Sorriu quando a música começou. Era o primeiro sinal vital que emitia dentro dos últimos 40 minutos. Levantou daquela mesa no canto e foi até a beirada do pequeno palco. Prendeu os cabelos num nó e pôs-se a balançar o corpo num movimento leve. Dançava de olhos fechados.
Eles não deviam começar o show com aquela música, ele já tinha dito milhões de vezes. Mas tudo bem, já era. Levantou-se e foi até lá. O vocalista fez cara de surpreso ao vê-lo ali. Ele sorriu. Tirou a câmera da mochila e começou a trabalhar.
Ela tinha alguma coisa quase que espiritual com aquela banda. Toda a sua serenidade se perdia ali. Transcendia a cada nota. Não via ninguém, esquecia de si mesma. Transpirava a cada suspiro do corpo.
Fotografou palco e público, instrumentos e cores de cabelo. E foi bem ai que ele viu aquele vermelho todo. Os cílios ruivos nos olhos fechados. As sandálias baixas de couro. Foi ver de perto pra acreditar: ela cheirava a cigarro e café.
Ela só abriu os olhos quando a música acabou. Sorriu de prazer. Parecia que ia sorrir para sempre. Olhou ao redor. Viu a câmera registrando tudo aquilo e as mãos que a seguravam confiantes. Ergueu os olhos, envermelhou-se de vez. Os olhos negros do fotógrafo a fotografavam, a máquina longe dali. E também sorria, ele todo, olhos mãos boca. Virou os olhos, se recompôs, a outra música já começava.
Queria abordá-la de algum jeito. Um cigarro ou uma água, uma esbarrada talvez. Mas era melhor não. Ela lhe parecia até inatingível vista dali, o belo era não poder tocar. Virou-se, saiu. Mais de longe, fotografou-a, agora de verdade, com a câmera mesmo. Precisava sair dali de uma vez, antes do show acabar. Olhou uma última vez para trás.
Ele estava indo embora e ela não quis acreditar. Era melhor assim, ela sabia. Pra manter aquilo que quase existiu. Ficou olhando, ele viu, ela nem se importou. Sorriram brandamente como que se despedindo, solenes. Como um relâmpago. Viraram-se, ele foi embora e ela ficou, num retorno as suas vidas comuns. Com um quase amor preso no peito.
Ele chegou com suas sobrancelhas grossas e negras e um olhar de menino perdido. Típico. Espremeu os olhos pra tentar se habituar à pouca luz, fez uma cara de quem detesta estar ali e foi até o balcão. Pediu uma água e esperou.
Sorriu quando a música começou. Era o primeiro sinal vital que emitia dentro dos últimos 40 minutos. Levantou daquela mesa no canto e foi até a beirada do pequeno palco. Prendeu os cabelos num nó e pôs-se a balançar o corpo num movimento leve. Dançava de olhos fechados.
Eles não deviam começar o show com aquela música, ele já tinha dito milhões de vezes. Mas tudo bem, já era. Levantou-se e foi até lá. O vocalista fez cara de surpreso ao vê-lo ali. Ele sorriu. Tirou a câmera da mochila e começou a trabalhar.
Ela tinha alguma coisa quase que espiritual com aquela banda. Toda a sua serenidade se perdia ali. Transcendia a cada nota. Não via ninguém, esquecia de si mesma. Transpirava a cada suspiro do corpo.
Fotografou palco e público, instrumentos e cores de cabelo. E foi bem ai que ele viu aquele vermelho todo. Os cílios ruivos nos olhos fechados. As sandálias baixas de couro. Foi ver de perto pra acreditar: ela cheirava a cigarro e café.
Ela só abriu os olhos quando a música acabou. Sorriu de prazer. Parecia que ia sorrir para sempre. Olhou ao redor. Viu a câmera registrando tudo aquilo e as mãos que a seguravam confiantes. Ergueu os olhos, envermelhou-se de vez. Os olhos negros do fotógrafo a fotografavam, a máquina longe dali. E também sorria, ele todo, olhos mãos boca. Virou os olhos, se recompôs, a outra música já começava.
Queria abordá-la de algum jeito. Um cigarro ou uma água, uma esbarrada talvez. Mas era melhor não. Ela lhe parecia até inatingível vista dali, o belo era não poder tocar. Virou-se, saiu. Mais de longe, fotografou-a, agora de verdade, com a câmera mesmo. Precisava sair dali de uma vez, antes do show acabar. Olhou uma última vez para trás.
Ele estava indo embora e ela não quis acreditar. Era melhor assim, ela sabia. Pra manter aquilo que quase existiu. Ficou olhando, ele viu, ela nem se importou. Sorriram brandamente como que se despedindo, solenes. Como um relâmpago. Viraram-se, ele foi embora e ela ficou, num retorno as suas vidas comuns. Com um quase amor preso no peito.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
deles
eu sempre sinto a falta dele quando toca Carla Bruni, que eu acho que ele nem gostaria, mas é francês e ele é meu único amigo francês. eu sempre procuro por ele com seu suco de laranja doce no recreio e esqueço que ele não fica mais ali e a blusa de frio agora é minha.
eu sinto a falta dele de um jeito estranho, quando toca O Rappa e eu lembro dos olhos brilhando e pulando no show. esse é meu amigo desde que eu nasci, só pode. pq eu gostava dele antes de saber que ele também gostava de mim e bem antes de saber que ele ia levar o meu menino pra mim naquele outro show.
o outro eu sinto falta pq nunca tive. o dia dele tá chegando rápido e eu vou sentir ainda mais falta quando ele virar carioca de novo. ele me falou de Nephilins e meninas ladras de palavras e meninos com amigos imaginários e de sonhos, muitos deles. e eu devo tudo a ela, e ao Coldplay, é claro.
dele eu sinto falta toda vez que ele não me abraça no recreio ou quando ele some pra ter outros amigos. ninguém mais gosta do professor de português e decora coisas inúteis e cospe na gente como ele. e é claro, não posso deixar de dizer, ninguém tem uma barba tão legal quanto a dele: o menino que me ensinou os Móveis Coloniais.
aquele eu sinto falta quando os olhos perdem a cor ou quando ele deixa a alma em casa. mas eu me acostumo, ele acaba voltando e me abraça igual criança sem doce. eu me lembro de nós dois correndo feito as crianças que realmente éramos pela escadaria do prédio alheio e dele cantarolando a musiquinha do Shrek no caminho mudo que percorremos por tanto tempo.
deles, pq não dá pra falar de um sem o outro e o outro, eu sinto falta quando somem, ou quando se calam, ou quando esquecem dos mimos. esses são a ausência do tempo ruim. e pra eles tem aquelas coisas bonitinhas que eles inventam com o violão e um fichário-bongô.
sinto umas faltas velhas, de tempos em que a gente era criança e não sabia mais. umas vozes cantando músicas de ônibus, outras cantando pra me fazer cantar, outras pra me ensinar a dança exata, umas outras (ditas) canções de amor.
e tem ainda uma porção de saudades pra chegar.
eu sinto a falta dele de um jeito estranho, quando toca O Rappa e eu lembro dos olhos brilhando e pulando no show. esse é meu amigo desde que eu nasci, só pode. pq eu gostava dele antes de saber que ele também gostava de mim e bem antes de saber que ele ia levar o meu menino pra mim naquele outro show.
o outro eu sinto falta pq nunca tive. o dia dele tá chegando rápido e eu vou sentir ainda mais falta quando ele virar carioca de novo. ele me falou de Nephilins e meninas ladras de palavras e meninos com amigos imaginários e de sonhos, muitos deles. e eu devo tudo a ela, e ao Coldplay, é claro.
dele eu sinto falta toda vez que ele não me abraça no recreio ou quando ele some pra ter outros amigos. ninguém mais gosta do professor de português e decora coisas inúteis e cospe na gente como ele. e é claro, não posso deixar de dizer, ninguém tem uma barba tão legal quanto a dele: o menino que me ensinou os Móveis Coloniais.
aquele eu sinto falta quando os olhos perdem a cor ou quando ele deixa a alma em casa. mas eu me acostumo, ele acaba voltando e me abraça igual criança sem doce. eu me lembro de nós dois correndo feito as crianças que realmente éramos pela escadaria do prédio alheio e dele cantarolando a musiquinha do Shrek no caminho mudo que percorremos por tanto tempo.
deles, pq não dá pra falar de um sem o outro e o outro, eu sinto falta quando somem, ou quando se calam, ou quando esquecem dos mimos. esses são a ausência do tempo ruim. e pra eles tem aquelas coisas bonitinhas que eles inventam com o violão e um fichário-bongô.
sinto umas faltas velhas, de tempos em que a gente era criança e não sabia mais. umas vozes cantando músicas de ônibus, outras cantando pra me fazer cantar, outras pra me ensinar a dança exata, umas outras (ditas) canções de amor.
e tem ainda uma porção de saudades pra chegar.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
a parede lilás
havia uma pilha de jornais no canto do quarto. jornais, a velha bolsa listrada, e uma pequena árvore que não era mais dela. uma pilha de jornais e um punhado de cabelos caídos, perdidos, pelo chão. ela mesma os jogava ali, inconscientemente.
havia uma porção de números a calcular e umas poucas palavras úteis pra ler. viu a pilha de jornais, e suspirou pela pilha de livros. três. lidos, eram um e meio. ela precisava terminá-los urgentemente mas ainda tinha os tais números.
colocou a mesa no centro do quarto, a cadeira de frente pra janela, naquele ritual solene de todos os dias. não cantava, não sorria, mas resmungava baixinho, em inglês. encontrou as folhas fora do lugar. 'mas que diabos elas..?!' ah sim, tinha sido ele. com seus olhos barulhentos e suas mãos de textura desconhecida, que ela fazia questão de não querer conhecer.
as pernas doíam do dia anterior. a cabeça doía dos dias... ainda ouvia os números, as unhas, o suor. ouvia a voz que nada dizia, e que ela tanto esperava, acender e apagar as luzes sem perceber. tornava a se levantar e as acendia, uma outra (e quem sabe a última) vez.
havia uma menina de unhas curtas e cabelos encaracolados presos no alto da cabeça, parada no meio do quarto. os óculos afundados na cara, ela afundada nas próprias palavras, parindo o texto perseguidor.
pronto. ela agora podia voltar aos números. agora, tudo estava igual: a pilha de jornais, os livros escondidos no armário, a parede lilás, os sorrisos desbotados. e a velha bola de pêlos na garganta.
havia uma porção de números a calcular e umas poucas palavras úteis pra ler. viu a pilha de jornais, e suspirou pela pilha de livros. três. lidos, eram um e meio. ela precisava terminá-los urgentemente mas ainda tinha os tais números.
colocou a mesa no centro do quarto, a cadeira de frente pra janela, naquele ritual solene de todos os dias. não cantava, não sorria, mas resmungava baixinho, em inglês. encontrou as folhas fora do lugar. 'mas que diabos elas..?!' ah sim, tinha sido ele. com seus olhos barulhentos e suas mãos de textura desconhecida, que ela fazia questão de não querer conhecer.
as pernas doíam do dia anterior. a cabeça doía dos dias... ainda ouvia os números, as unhas, o suor. ouvia a voz que nada dizia, e que ela tanto esperava, acender e apagar as luzes sem perceber. tornava a se levantar e as acendia, uma outra (e quem sabe a última) vez.
havia uma menina de unhas curtas e cabelos encaracolados presos no alto da cabeça, parada no meio do quarto. os óculos afundados na cara, ela afundada nas próprias palavras, parindo o texto perseguidor.
pronto. ela agora podia voltar aos números. agora, tudo estava igual: a pilha de jornais, os livros escondidos no armário, a parede lilás, os sorrisos desbotados. e a velha bola de pêlos na garganta.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
tempos de agora
agora ele só vai ler se quiser. e falar se quiser. agora agosto dói na gente. e em mim, mais que em qualquer um. agora a gente senta e espera. espera que chega e passa os quatro dias praquilo, as quinze semanas praquilo outro, os muitos minutos pra nem-te-conto-o-quê. agora eu não sei mais se quero, eu não sei mais se espero. mas quero. agora é hora de ir dormir.
domingo, 22 de julho de 2007
do not walk outside this area
eu quase não escrevo à caneta, prefiro lápis ou teclado. quase não uso maiúsculas. prefiro o frio ao calor e sempre voto no bege. falo pra, tô, que nem e num.
das janelas cilíndricas (ou seriam ovais?) do avião eu via a neblina que encobria o mundo, com leves rabiscos feitos com giz de cera azul. mas afinal, quem é que haveria de andar ali? se bem que, cá entre nós, não seria má idéia. sentar bem ali na asa, cabelos soltos, perdidos na poeira do vento. e o mundo, visto lá de cima, que nem maquete.
e a morte devia ser assim, como eu já havia dito, mas agora podia ver: branca. o nada branco das nuvens. ou o nada branco, do azul. claro, escuro, marinho, anil. nada de cinza ou vermelho, eu bem sei. de certo, dos sonhos.
eu nem queria bem exatamente, mas voltar pra casa sempre tinha aquele gosto de cansaço e ressaca da vida que eu aprendi a gostar e mascar, como se fosse chiclete de morango.
das janelas cilíndricas (ou seriam ovais?) do avião eu via a neblina que encobria o mundo, com leves rabiscos feitos com giz de cera azul. mas afinal, quem é que haveria de andar ali? se bem que, cá entre nós, não seria má idéia. sentar bem ali na asa, cabelos soltos, perdidos na poeira do vento. e o mundo, visto lá de cima, que nem maquete.
e a morte devia ser assim, como eu já havia dito, mas agora podia ver: branca. o nada branco das nuvens. ou o nada branco, do azul. claro, escuro, marinho, anil. nada de cinza ou vermelho, eu bem sei. de certo, dos sonhos.
eu nem queria bem exatamente, mas voltar pra casa sempre tinha aquele gosto de cansaço e ressaca da vida que eu aprendi a gostar e mascar, como se fosse chiclete de morango.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
acento agudo
já é mais de meia noite e isso definitivamente não era hora de dar login. mas o caso é quase que inevitável. acontece que doeu meu coração ler aquilo escrito com acento agudo. jornalísmo, eca! mas ai veio o contexto que doeu bem mais. doeu mesmo foi ver a hipótese de que não existe mais. droga! nem era pra doer. como é que dói em você uma coisa que nunca foi sua? ou que você nem sabe se quer que seja? dói mais ainda encarar a verdade: eu quero que seja. se não quisesse, não doía, era simples assim.
meu medo é nada mais nada menos do que uma das minhas milhares e milhares de fraquezas. eu tento escondê-lo atrás de uma porção de argumentos totalmente cabíveis, mas num tem outro nome não, é medo mesmo! é um medo danado de dar errado, de escolher errado, de acabar em frustração, de ficar pobre e ir morar de baixo da ponte, de ter que ouvir dizer depois: eu bem que te avisei!
é babaca e tudo mais, mas dá vontade de socar essa sociedade capitalista que só pensa em grana e me faz pensar também. meus (ditos) ideais deveriam sobressair, passar longe desses pensamentos tristes, me deixando escolher em paz. mas não dá! eu devo um monte de gente. devo figurativa e literalmente falando.
(merda!) eu sou hipócritazinha de mais. passo o tempo todo querendo abraçar o mundo, mas não sou capaz de esticar meus próprios braços. the time is over, baby. over! entendeu? a-c-a-b-o-u. veste essa porcaria de camisa e abre os braços pra você. admite! olha pro espelho, vê. pára de fingir que não entende, pára de se confundir. pára de ter medo. que medo só te enfraquece, só te diminui. e diminui tanto e tão rápido que daqui a pouco você nem alcança o espelho mais.
meu medo é nada mais nada menos do que uma das minhas milhares e milhares de fraquezas. eu tento escondê-lo atrás de uma porção de argumentos totalmente cabíveis, mas num tem outro nome não, é medo mesmo! é um medo danado de dar errado, de escolher errado, de acabar em frustração, de ficar pobre e ir morar de baixo da ponte, de ter que ouvir dizer depois: eu bem que te avisei!
é babaca e tudo mais, mas dá vontade de socar essa sociedade capitalista que só pensa em grana e me faz pensar também. meus (ditos) ideais deveriam sobressair, passar longe desses pensamentos tristes, me deixando escolher em paz. mas não dá! eu devo um monte de gente. devo figurativa e literalmente falando.
(merda!) eu sou hipócritazinha de mais. passo o tempo todo querendo abraçar o mundo, mas não sou capaz de esticar meus próprios braços. the time is over, baby. over! entendeu? a-c-a-b-o-u. veste essa porcaria de camisa e abre os braços pra você. admite! olha pro espelho, vê. pára de fingir que não entende, pára de se confundir. pára de ter medo. que medo só te enfraquece, só te diminui. e diminui tanto e tão rápido que daqui a pouco você nem alcança o espelho mais.
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