sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
menina-estrela
o fato é que eu vi uma menina parada ali nas memórias que eu não sei se tenho. dedos curtos sem o esmalte vermelho descascado de hoje. não serviria pro piano, diriam. mas ela sempre quis. depois desistiu, e quis o violão. desistiu de novo. ficou com a voz. sobrou-lhe, entre tantos os instrumentos que o pai estendia na sala, o fiapo de voz que ganhara da fada madrinha. ficou de aperfeiçoar, mas deixou pra outro dia. foi se meter com dança, mas a menina mal sabia se mexer. e ficou pela metade outra vez. até que encontrou o teatro e o figurino e as máscaras. aquilo, aquilo sim é que era vida. mas acontece que ela nem tinha tanto talento assim. tinha idéia. e largou o teatro e ficou com as idéias. remoendo, remoídas, projetadas, estrategicamente organizadas. e as idéias permaneceram perturbando-a até explodirem dedos a fora. saíam daqueles mesmo dedos curtos de outrora, saltitantes, coloridas feito borboletas, saíam deixando um rastro de pólen. a menina se encantou com tanta beleza. na verdade, ela nem achava que era de fato tão boa assim, mas quis acreditar e isso bastou. e então ela depositou todas as fichas que tinha, nas próprias palavras.
domingo, 9 de dezembro de 2007
pseudo-conclusões de menina
o fato é que eles não entendem mesmo.
não entendem quando a gente escreve ou quando a gente não quer dizer. não entendem quando a gente chora sem motivo, ou quando fica carente e desesperada por eles. não entendem quando a gente diz 'não' querendo dizer 'sim', ou quando finge que tá tudo bem quando no fundo tá tudo péssimo. não entendem quando a gente precisa que eles adivinhem ou que sejam meigos ou que sejam brutos. não entendem quando a gente faz tudo para que eles reparem ou quando faz tudo para que não reparem, por favor.
eles nunca sabem mesmo o que fazer. e não é que a gente saiba, pelo contrário. a gente sabe bem menos que eles. é por isso que precisamos mesmo deles, porque alguém tem que saber pra gente. é uma dependência besta, eu sei! deve ser por isso que nós nunca ficamos satisfeitas completamente, por mais completas que estejamos. não dá. a gente tá sempre querendo mais e esperando mais deles e de nós mesmas, e fica trocando de amor pra tentar encontrar alguém que termine as suas frases do jeito que você imaginou.
até que você encontra. e essa pessoa é tão ridiculmente imperfeita que você custa a acreditar. e fica desacreditando, e eles continuam não entendendo, e você aprende, definitivamente, que não dá mesmo pra entender tudo.
ps: pra nana, que me pede pra postar e me ensinou a escrever 'a gente' separado. e pra aline, que me levou às conclusões.
algumas da minhas meninas.
não entendem quando a gente escreve ou quando a gente não quer dizer. não entendem quando a gente chora sem motivo, ou quando fica carente e desesperada por eles. não entendem quando a gente diz 'não' querendo dizer 'sim', ou quando finge que tá tudo bem quando no fundo tá tudo péssimo. não entendem quando a gente precisa que eles adivinhem ou que sejam meigos ou que sejam brutos. não entendem quando a gente faz tudo para que eles reparem ou quando faz tudo para que não reparem, por favor.
eles nunca sabem mesmo o que fazer. e não é que a gente saiba, pelo contrário. a gente sabe bem menos que eles. é por isso que precisamos mesmo deles, porque alguém tem que saber pra gente. é uma dependência besta, eu sei! deve ser por isso que nós nunca ficamos satisfeitas completamente, por mais completas que estejamos. não dá. a gente tá sempre querendo mais e esperando mais deles e de nós mesmas, e fica trocando de amor pra tentar encontrar alguém que termine as suas frases do jeito que você imaginou.
até que você encontra. e essa pessoa é tão ridiculmente imperfeita que você custa a acreditar. e fica desacreditando, e eles continuam não entendendo, e você aprende, definitivamente, que não dá mesmo pra entender tudo.
ps: pra nana, que me pede pra postar e me ensinou a escrever 'a gente' separado. e pra aline, que me levou às conclusões.
algumas da minhas meninas.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
menino das seis cordas
sol sol sol. pra quê tanto sol assim, meu deus?! ele via pela janela as pessoas que passavam na rua com testas enrugadas pelo sol. maldita hora que tinham deixado ele sentar ali, onde o sol batia mais forte. de certo que era pra ver se ele derretia. mas eles não sabiam que era exatamente ali onde o sol batia, que batia também a brisa mais leve e doce que se pode haver. ele não lembrou disso exatamente, mas sabia que era a brisa que 'desaguniava'.
pra queê estudar aquilo, meu deus?! ele não via utilidade nenhuma em decorar a tabuada. decorar era tão feio e difícil. ele só sabia decorar quando ninguém mandava. sabia uma porção de música e até uns versos que a mãe ensinou. ensinou como quem num quer nada, porque conhecia o filho que tinha. queria ver o menino falar bonito que nem o povo da tevê. e num é que o menino tinha talento? vivia falando os versinho pelos canto, cantava uns sambinha velho e ela nem entendia direito. um dia perguntou: 'menino, essa música é do tempo que eu era noviinha! onde cê aprendeu isso?' ele riu e disse: 'aprendi vendo, mãe.'
e era assim que ele aprendia. só vendo. e como via! reparava coisa como ninguém mais. era danado que só. mas ficava aguniado era de ter que ficar com a bunda grudada na cadeira da escola vendo os outros repetirem a professora, enquanto a mãe lavava aquela pilha imensa de roupa sozinha. ficava entediado porque num dava conta, num podia ser assim. queria era sair pra fora. levantar e sair dali correndo, ganhar a liberdade que ele nem sabia o que significava. ele gostava da escola. gostava mesmo, tinha boas notas e tudo o mais, mas sentar na janela fazia ele pensar nessas coisas todas.
pra queê tanta nuvem, meu deus?! mas logo mudava de idéia, as nuvens refrescavam tudo. ou pelo menos era o que ele achava. ele olhava as nuvens brancas e o azul do céu, e lembrava de bola de gude e da mãe. mãe era bonita que só vendo, tinha um cabelo bonito que caía no rosto quando ela tava feliz. e ai ele abraçava ela e cantava porque sabia que ela gostava de ver ele cantar. aprendia as músicas pra ela. gostava de deixar feliz, fazia só pra agradar mesmo. mas no fundo o que ele mais gostava era dos versinho. as nuvens deixavam ele com vontade de fazer verso também. e foi olhando pra elas, espremendo o olhinho por causa do sol, que ele decidiu que ia ser gente grande. ia mesmo, só pra agradar a mãe. e ia ser grande fazendo os versinho que ele tanto gostava, que tanto queria, que tanto escrevia todas as vezes que olhava pro céu.
ps: bruninho, desculpa o plágio. roubei seu menino pra mim ;)
pra queê estudar aquilo, meu deus?! ele não via utilidade nenhuma em decorar a tabuada. decorar era tão feio e difícil. ele só sabia decorar quando ninguém mandava. sabia uma porção de música e até uns versos que a mãe ensinou. ensinou como quem num quer nada, porque conhecia o filho que tinha. queria ver o menino falar bonito que nem o povo da tevê. e num é que o menino tinha talento? vivia falando os versinho pelos canto, cantava uns sambinha velho e ela nem entendia direito. um dia perguntou: 'menino, essa música é do tempo que eu era noviinha! onde cê aprendeu isso?' ele riu e disse: 'aprendi vendo, mãe.'
e era assim que ele aprendia. só vendo. e como via! reparava coisa como ninguém mais. era danado que só. mas ficava aguniado era de ter que ficar com a bunda grudada na cadeira da escola vendo os outros repetirem a professora, enquanto a mãe lavava aquela pilha imensa de roupa sozinha. ficava entediado porque num dava conta, num podia ser assim. queria era sair pra fora. levantar e sair dali correndo, ganhar a liberdade que ele nem sabia o que significava. ele gostava da escola. gostava mesmo, tinha boas notas e tudo o mais, mas sentar na janela fazia ele pensar nessas coisas todas.
pra queê tanta nuvem, meu deus?! mas logo mudava de idéia, as nuvens refrescavam tudo. ou pelo menos era o que ele achava. ele olhava as nuvens brancas e o azul do céu, e lembrava de bola de gude e da mãe. mãe era bonita que só vendo, tinha um cabelo bonito que caía no rosto quando ela tava feliz. e ai ele abraçava ela e cantava porque sabia que ela gostava de ver ele cantar. aprendia as músicas pra ela. gostava de deixar feliz, fazia só pra agradar mesmo. mas no fundo o que ele mais gostava era dos versinho. as nuvens deixavam ele com vontade de fazer verso também. e foi olhando pra elas, espremendo o olhinho por causa do sol, que ele decidiu que ia ser gente grande. ia mesmo, só pra agradar a mãe. e ia ser grande fazendo os versinho que ele tanto gostava, que tanto queria, que tanto escrevia todas as vezes que olhava pro céu.
ps: bruninho, desculpa o plágio. roubei seu menino pra mim ;)
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
bem passado
hoje é dia de finados. sempre achei estranho isso, um dia de finados ou para os finados. eles não tem calendário, pra contar dia após dia, quantos dias faltam pra ter um dia pra eles. eu não cultivo mortos, nem túmulos, nem flores. e por isso, o dia não teve nenhum cheiro de morte. aliás, enfim, a chuva veio. e dizem os mais velhos ou mais atentos, que nesse dia ela sempre vem. "é a chuva de finados", diria a minha avó.
a chuva levou consigo o calor e trouxe renovação. é bonito ver como as árvores sempre ficam mais verdes, depois dela. meu antigo quintal sempre ficava mais alegre depois da chuva, dava pra sentir. a gente olhava da janela e via a grama sorrir.
veio a chuva, e a saudade. essa saudade doce que é relembrar tempos passados, relembrar momentos, cheiros, cores, poses pra fotografia. chamam de saudosismo. chamem-me de saudosista. essas lembranças chegam em longas histórias até os meus ouvidos, como um filme em preto e branco que eu nunca vi. o meu corpo se arrepia e o meu coração respira lento pra absorver melhor.
o dia chegaria ao final perfeitamente encaixado num disco de vinil. ou num daqueles velhos sambas que só eu pareço ouvir.
a chuva levou consigo o calor e trouxe renovação. é bonito ver como as árvores sempre ficam mais verdes, depois dela. meu antigo quintal sempre ficava mais alegre depois da chuva, dava pra sentir. a gente olhava da janela e via a grama sorrir.
veio a chuva, e a saudade. essa saudade doce que é relembrar tempos passados, relembrar momentos, cheiros, cores, poses pra fotografia. chamam de saudosismo. chamem-me de saudosista. essas lembranças chegam em longas histórias até os meus ouvidos, como um filme em preto e branco que eu nunca vi. o meu corpo se arrepia e o meu coração respira lento pra absorver melhor.
o dia chegaria ao final perfeitamente encaixado num disco de vinil. ou num daqueles velhos sambas que só eu pareço ouvir.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
conto de minuto
ela olhava procurando desesperadamente ler em seus olhos o que ele pensava. quem sabe descobrindo o que ele pensava, saberia o que pensar também.
tirou seus cabelos da testa pra sentir o sal. colocou as mãos dele entre as suas, entrelaçou os dedos o máximo que pôde e beijou-os um a um.
ensaiou por alguns segundos a sua voz mais doce, pra poder dizer aquilo que era o que ela mais queria. seria melhor dizer: "fica assim comigo pra sempre?" ou "fica aqui pra sempre?" ou seria fique, pra soar mais bonito e gramaticalmente correto? acabou rindo um riso interno e bonito de quem ri de si pra si. calou o riso, engoliu a frase, voltou pra dúvida.
ele a beijou com a cara cansada mais bonita que se pode ter ao beijar alguém. ou pelo menos foi o que ela pensou. e então ela desistiu de dizer. sorriu seu sorriso torto que ele amava, desceu as escadas, e pra não ter que pedir e ouvir a resposta, ela foi embora.
tirou seus cabelos da testa pra sentir o sal. colocou as mãos dele entre as suas, entrelaçou os dedos o máximo que pôde e beijou-os um a um.
ensaiou por alguns segundos a sua voz mais doce, pra poder dizer aquilo que era o que ela mais queria. seria melhor dizer: "fica assim comigo pra sempre?" ou "fica aqui pra sempre?" ou seria fique, pra soar mais bonito e gramaticalmente correto? acabou rindo um riso interno e bonito de quem ri de si pra si. calou o riso, engoliu a frase, voltou pra dúvida.
ele a beijou com a cara cansada mais bonita que se pode ter ao beijar alguém. ou pelo menos foi o que ela pensou. e então ela desistiu de dizer. sorriu seu sorriso torto que ele amava, desceu as escadas, e pra não ter que pedir e ouvir a resposta, ela foi embora.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
você viver mais
-sabe pai, eu tenho um blog. é, um blog, uma daquelas coisinhas de internet que todo mundo cismou de ter de uns tempos pra cá. eu também cismei. sabe, já tem até um tempinho. já tem um bocado de textos e de lembranças por lá. e sabe, eu sempre quis te mostrar, eu juro. mas me faltou coragem. eu fiz um blog pra poder ser idealista nele e mais realista fora dele. exatamente como você quis. às vezes eu acho que é tudo pra você. que eu escrevo pra você. é que tirando uns dias poucos, eu continuo te enxergando de azul e vermelho e um S no peito. ou melhor, eu continuo te exergando despindo a roupa de papai noel, que você nunca despiu por inteiro.
-sabe pai, eu quero tanto que você se orgulhe. acho que é por isso que eu venho lutando todos os dias, desses dez últimos anos. e quando eu vejo as minhas pernas curtas e o meu quarto lilás, é que eu enxergo as outras dezenas de anos que eu vou ter de continuar lutando. eu prometi, e disso você também não sabia. naquele dia no bosque, eu prometi. e ninguém nunca vai entender minhas promessas, e o meu empenho, e muito menos o meu amor. talvez, nem eu.
-sabe pai, eu queria muito que você lesse. que você me lesse. no fundo é um monte de besteiras, mas eu mesma nem acredito nisso mais. existe uma verdade enorme nisso tudo aqui, não é por acaso que ele veio a se chamar espelho. sabe, eu tenho até uns leitores bem assíduos pra falar a verdade. e é engraçado como eles me olham, e até me aplaudem com umas exclamações cheias de entusiasmo. é bonitinho que só. e eu me renovo de vontades de continuar me derramando pra eles a cada exclamação dessas, porque não há ego que resista, eu confesso.
-sabe pai, tem tanta coisa que eu queria que você soubesse. tem tanta história que eu queria contar, tanto tempo que eu queria voltar, tanta música preu te cantar. mas eu tô crescendo sem querer crescer. eu não posso mais te chamar a noite por um mau presságio, nem adoecer porque você viajou e nem chorar lendo pra você um desses meus textos bobos. eu preciso ser grande, e forte, e não mais a "rapa do tacho" insensível sendo a mais sensível de todas, porque puxou de você a alma de artista.
-sabe pai, às vezes o que eu mais queria era voltar pro bosque. e andar por entre os galhos deitados e folhas caídas. só por mais um dia. pra não esquecer das poucas imagens que eu ainda não esqueci. e engolir menos o choro, e cantar nossas músicas outras vezes, e te ouvir falar todas as suas coisas por horas e horas. e fazer igual a Takai e escrever uma canção pra você viver mais.
-sabe pai, eu quero tanto que você se orgulhe. acho que é por isso que eu venho lutando todos os dias, desses dez últimos anos. e quando eu vejo as minhas pernas curtas e o meu quarto lilás, é que eu enxergo as outras dezenas de anos que eu vou ter de continuar lutando. eu prometi, e disso você também não sabia. naquele dia no bosque, eu prometi. e ninguém nunca vai entender minhas promessas, e o meu empenho, e muito menos o meu amor. talvez, nem eu.
-sabe pai, eu queria muito que você lesse. que você me lesse. no fundo é um monte de besteiras, mas eu mesma nem acredito nisso mais. existe uma verdade enorme nisso tudo aqui, não é por acaso que ele veio a se chamar espelho. sabe, eu tenho até uns leitores bem assíduos pra falar a verdade. e é engraçado como eles me olham, e até me aplaudem com umas exclamações cheias de entusiasmo. é bonitinho que só. e eu me renovo de vontades de continuar me derramando pra eles a cada exclamação dessas, porque não há ego que resista, eu confesso.
-sabe pai, tem tanta coisa que eu queria que você soubesse. tem tanta história que eu queria contar, tanto tempo que eu queria voltar, tanta música preu te cantar. mas eu tô crescendo sem querer crescer. eu não posso mais te chamar a noite por um mau presságio, nem adoecer porque você viajou e nem chorar lendo pra você um desses meus textos bobos. eu preciso ser grande, e forte, e não mais a "rapa do tacho" insensível sendo a mais sensível de todas, porque puxou de você a alma de artista.
-sabe pai, às vezes o que eu mais queria era voltar pro bosque. e andar por entre os galhos deitados e folhas caídas. só por mais um dia. pra não esquecer das poucas imagens que eu ainda não esqueci. e engolir menos o choro, e cantar nossas músicas outras vezes, e te ouvir falar todas as suas coisas por horas e horas. e fazer igual a Takai e escrever uma canção pra você viver mais.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
de repente
e de repente eu quis que as pessoas não morressem. ficassem congeladas aqui na terra, presas num âmbar invisível. eu que nem a conheci quis que ela ficasse. e que tanto a conheci (sem conhecer) quis também que ficasse. não chore não, por favor, que seu choro tem um ar profético de adeus. eu não quero esse adeus.
de repente eu quis que ela enxergasse. me enxergasse, se enxergasse, já nem sei. assim como eu enxerguei. e vi como ela ficou bonita com os cabelos e roupas novos e como seria ainda mais bonita se ainda fosse minha. dói pensar naquelas três letras juntas, que se dissipam feito as pétalas daquelas florzinhas de soprar. eu quero que vc enxergue, será que é tão difícil assim? eu não quero ser igual a vc. não quero ter de esperar os anos se passarem ou as minhas lágrimas caírem arrependidas. eu não vou me arrepender.
de repente eu quis que tudo voltasse, aquela fé que eu não perdi e só vc reparou. e nem foi só vc. todo mundo viu, acredita? tava escrito em cada entrelinha que aquilo tudo era só um pedido de socorro de quem (e pra quem) acredita de mais. eu continuo a mesma menina dos espelhos, despida dos disfarces que veste dia-a-dia.
de repente eu quis que ela aparecesse. e ela apareceu feito presságio iluminado. estava lá no lugar mais ideal e impróprio e ainda assim continuava brilhando, como eu lhe disse uns tempos atrás. por que é que as pessoas se perdem? e se perdem a dois quarteirões de casa. eu vou parar de culpar vc, vou fazer alguma coisa, foi promessa, palavra de escoteiro, tá feito.
de repente eu quis que tudo acabasse logo. vamos lá, já foi muito tempo perdido nisso! tá nas mãos de Deus, ou dos céus, ou de quem é for que mande nisso. minha parte tá ai, meio incompleta mas no limite. eu tenho mais alguns dias até lá, e umas zilhões de coisas pra esses dias mas eu não vou nem estremecer. "se der, deu" já diziam os filósofos das terras distantes e inimagináveis da minha imaginação.
de repente (e não tão de repente assim) eu te quis. quis como eu só tive algumas vezes (e meia?!) ou como já tive centenas (aproximadamente 570). quis como eu quero todos os dias nesse jeito de te sufocar e me sufocar. até pedir por favor pra querer menos, que querer de mais assim deve fazer mal, não é possível! mas não faz não, e engrandece. e eu continuo querendo e re-querendo e requerendo.
de repente, não mais que de repente, eu fiz um monte de quereres num papel-tela. e perdi o sono e ganhei o sono, na caixa verde das maçãs mordidas que veio com o horário de verão e um monte de sonhos, melancolias e pedidos dentro.
de repente eu quis que ela enxergasse. me enxergasse, se enxergasse, já nem sei. assim como eu enxerguei. e vi como ela ficou bonita com os cabelos e roupas novos e como seria ainda mais bonita se ainda fosse minha. dói pensar naquelas três letras juntas, que se dissipam feito as pétalas daquelas florzinhas de soprar. eu quero que vc enxergue, será que é tão difícil assim? eu não quero ser igual a vc. não quero ter de esperar os anos se passarem ou as minhas lágrimas caírem arrependidas. eu não vou me arrepender.
de repente eu quis que tudo voltasse, aquela fé que eu não perdi e só vc reparou. e nem foi só vc. todo mundo viu, acredita? tava escrito em cada entrelinha que aquilo tudo era só um pedido de socorro de quem (e pra quem) acredita de mais. eu continuo a mesma menina dos espelhos, despida dos disfarces que veste dia-a-dia.
de repente eu quis que ela aparecesse. e ela apareceu feito presságio iluminado. estava lá no lugar mais ideal e impróprio e ainda assim continuava brilhando, como eu lhe disse uns tempos atrás. por que é que as pessoas se perdem? e se perdem a dois quarteirões de casa. eu vou parar de culpar vc, vou fazer alguma coisa, foi promessa, palavra de escoteiro, tá feito.
de repente eu quis que tudo acabasse logo. vamos lá, já foi muito tempo perdido nisso! tá nas mãos de Deus, ou dos céus, ou de quem é for que mande nisso. minha parte tá ai, meio incompleta mas no limite. eu tenho mais alguns dias até lá, e umas zilhões de coisas pra esses dias mas eu não vou nem estremecer. "se der, deu" já diziam os filósofos das terras distantes e inimagináveis da minha imaginação.
de repente (e não tão de repente assim) eu te quis. quis como eu só tive algumas vezes (e meia?!) ou como já tive centenas (aproximadamente 570). quis como eu quero todos os dias nesse jeito de te sufocar e me sufocar. até pedir por favor pra querer menos, que querer de mais assim deve fazer mal, não é possível! mas não faz não, e engrandece. e eu continuo querendo e re-querendo e requerendo.
de repente, não mais que de repente, eu fiz um monte de quereres num papel-tela. e perdi o sono e ganhei o sono, na caixa verde das maçãs mordidas que veio com o horário de verão e um monte de sonhos, melancolias e pedidos dentro.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
des-crença
dói. dói horrores, dói ainda mais minha gastrite, dói até o rim. e se eles cansaram... eu também cansei. cansei exatamente porque dói. eu não quero mais ver, nem ouvir. eu quero ignorar todos os jornais e telejornais e programas políticos. quero esquecer. quero perder a consciência. quero urgente, por favor!
não dá mais pra tentar ser diferente do comum, onde o comum é essa alienação fingida. melhor fingir que não ter. eu quero ter, quero me alienar. porque quando se pára (e pensa) essa desgraça em cadeia dói, ela afeta até meus filhos que ainda não foram feitos e eu nem sei mais se serão, porque eu não quero essa desgraça pra eles. e se eu desisto é porque perdi a fé. eu não enxergo mais uma salvação, uma solução, uma saída. não existe mais nem a esperança longíqua daquele comunismo que me soa tão utópico. não tem mais nem mesmo os bons e velhos hippies, hoje eles são só um bando de maconheiros, e olhe lá. todo mundo se contaminou. ou morreu. porque os bons morrem sempre jovens, as grande idéias morrem jovens e a esperança morre no jovem.
minha irmã tem mesmo absoluta razão, o que há é ser má. sendo má eu fico viva e me corrompo também.
não dá mais pra tentar ser diferente do comum, onde o comum é essa alienação fingida. melhor fingir que não ter. eu quero ter, quero me alienar. porque quando se pára (e pensa) essa desgraça em cadeia dói, ela afeta até meus filhos que ainda não foram feitos e eu nem sei mais se serão, porque eu não quero essa desgraça pra eles. e se eu desisto é porque perdi a fé. eu não enxergo mais uma salvação, uma solução, uma saída. não existe mais nem a esperança longíqua daquele comunismo que me soa tão utópico. não tem mais nem mesmo os bons e velhos hippies, hoje eles são só um bando de maconheiros, e olhe lá. todo mundo se contaminou. ou morreu. porque os bons morrem sempre jovens, as grande idéias morrem jovens e a esperança morre no jovem.
minha irmã tem mesmo absoluta razão, o que há é ser má. sendo má eu fico viva e me corrompo também.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
pingo
e tá tudo tão quente aqui. tão tão tão quente que dá até pra desistir. a gente desiste de pensar porque pensar também cansa no calor. pensar derrete. e eu vou derretendo pelas mãos, pelos pés, pelos cabelos. tudo pinga. pinga a inscrição feita, que agora não dá mais pra mudar. pingam as lágrimas que caíram ontem, junto ao suor, feitas de tanto sentimento junto, misturado num liquidificador mental. toda a insegurança, o medo, todas as dores e pesos na consciência, desceram todos eles juntos, todos pingaram de uma vez. pingou forte o ciúmes, latejante, escaldante. o ciúmes menos feio e mais bonito de todos. pingou tanta saudade. saudade do que vai embora, do que não voltou, do que ainda não veio. pingou cintilante o maior amor do mundo, que eu teimo em sentir que sinto.
pingou, escorreu por tudo quanto pôde e despencou penhasco abaixo. furta-cor feito bolha de sabão, feito confusão, feito mistura. feito a água mais pura que eu já pude beber - e bebo, pra repor tudo uma outra vez e pingar mais.
"doentes do coração, dançavam na enfermaria."
pingou, escorreu por tudo quanto pôde e despencou penhasco abaixo. furta-cor feito bolha de sabão, feito confusão, feito mistura. feito a água mais pura que eu já pude beber - e bebo, pra repor tudo uma outra vez e pingar mais.
"doentes do coração, dançavam na enfermaria."
domingo, 9 de setembro de 2007
motivo
Eu ligo o computador pra escrever e só me sai sentimentalismo. Nesse aspecto, eu pareço a Tati Bernardi com essa obsessão pela tecla A. Continuando o plágio então, chega. Vamos dar um tempo pra pobre tecla gasta. Eu continuo não gostando de maiúsculas, e sendo intimista demais e usando a primeira pessoa pra tudo, porque também, não sejamos tão radicais. O caso é que me apareceu bordado em letras de revista um velho novo motivo.
Eu ando mesmo entupida dessas aulas de humanas. Se tem alguma coisa boa, estupidamente boa, nesse terceiro ano, é isso. Esses zilhões de aulas que me entopem de informação e de um conhecimento que quase ninguém mais quer saber. E eu acabo falando pro vento que não sou dessa geração. Disse e redisse: eu queria mesmo era sair por ai com flores no cabelo cantando Beatles e Janis; queria um grupo anti-ditatorial, anti-censura, anti-opressões; queria ter a cara pintada pra tirar o presidente do poder. Mas o fato é que ninguém faz nada. E ninguém faz a revolução sozinho. Eu olho pro lado e só vejo desinteresse. Dos meus amigos, eu contaria no máximo uns dois. O resto é só palavra. E talvez, até mesmo eu. Como diria o orkut, eu faço parte de um grupo de revolucionários preguiçosos. Que passam o dia inteiro olhando comunidades do orkut e pensando como seria bonito se alguém fizesse alguma coisa. Um bando de adolescentes de classe média com nada, ou pouca coisa, na cabeça. E talvez eu até seja um desses hipócritas que tem gritado cansaço. Cansados... Cansados de quê? De ficarmos parados, braços cruzados, assistindo o Bonner anunciar mais miséria, mais corrupção, mais desgraça? É, desgraça, desgraça mesmo, essa palavra feia. Porque tá tudo feio por aqui.
Eu morro de medo de ter filhos. Eu não quero que eles vivam no caos que o mundo vai virar. Não que já não seja, mas tudo tende a piorar. Eu acredito sim no colapso do sistema, no fim do capitalismo. Mas quando um sistema cai, o mundo desmorona. Demora séculos pra se readaptar. E isso sem falar nas causas ambientais. Eles não vão ter água potável, nem ar puro, nem Amazônia, nem estrelas pra contar, e nem paz. A não ser que as coisas sejam revertidas a tempo. Porque eu não acredito que ainda haja tempo. E não é pessimismo da minha parte não, desculpa. É realismo. É como eu li na Carta Capital, aqueles que não se contentam com a mediocridade e a injustiça são sempre considerados pessimistas. Deveriam existir muito mais pessimistas então.
Meus professores têm dito que é tudo falta de ideologia. Eu concordo. Falta ideologia pra maioria, e coragem pros poucos que já tem. Essa é uma das razões da minha escolha maldita. Meu pai estava completamente certo, eu só quero ser igual o Cazuza. Eu sou impregnada dessa mania nojenta de ideais. Eu quero botar meu bloco na rua, e escancarar a verdade feito um tapa na cara de cada um de vocês. Eu quero deixar de preguiça e ler todos os Marx e Neruda e Pessoa que eu puder, pra ter alguma coisa pra falar. Porque eu quero falar tanto, eu quero gritar tanto, eu quero escrever tanto a letra A, que já fico rouca antes da hora.
Eu ando mesmo entupida dessas aulas de humanas. Se tem alguma coisa boa, estupidamente boa, nesse terceiro ano, é isso. Esses zilhões de aulas que me entopem de informação e de um conhecimento que quase ninguém mais quer saber. E eu acabo falando pro vento que não sou dessa geração. Disse e redisse: eu queria mesmo era sair por ai com flores no cabelo cantando Beatles e Janis; queria um grupo anti-ditatorial, anti-censura, anti-opressões; queria ter a cara pintada pra tirar o presidente do poder. Mas o fato é que ninguém faz nada. E ninguém faz a revolução sozinho. Eu olho pro lado e só vejo desinteresse. Dos meus amigos, eu contaria no máximo uns dois. O resto é só palavra. E talvez, até mesmo eu. Como diria o orkut, eu faço parte de um grupo de revolucionários preguiçosos. Que passam o dia inteiro olhando comunidades do orkut e pensando como seria bonito se alguém fizesse alguma coisa. Um bando de adolescentes de classe média com nada, ou pouca coisa, na cabeça. E talvez eu até seja um desses hipócritas que tem gritado cansaço. Cansados... Cansados de quê? De ficarmos parados, braços cruzados, assistindo o Bonner anunciar mais miséria, mais corrupção, mais desgraça? É, desgraça, desgraça mesmo, essa palavra feia. Porque tá tudo feio por aqui.
Eu morro de medo de ter filhos. Eu não quero que eles vivam no caos que o mundo vai virar. Não que já não seja, mas tudo tende a piorar. Eu acredito sim no colapso do sistema, no fim do capitalismo. Mas quando um sistema cai, o mundo desmorona. Demora séculos pra se readaptar. E isso sem falar nas causas ambientais. Eles não vão ter água potável, nem ar puro, nem Amazônia, nem estrelas pra contar, e nem paz. A não ser que as coisas sejam revertidas a tempo. Porque eu não acredito que ainda haja tempo. E não é pessimismo da minha parte não, desculpa. É realismo. É como eu li na Carta Capital, aqueles que não se contentam com a mediocridade e a injustiça são sempre considerados pessimistas. Deveriam existir muito mais pessimistas então.
Meus professores têm dito que é tudo falta de ideologia. Eu concordo. Falta ideologia pra maioria, e coragem pros poucos que já tem. Essa é uma das razões da minha escolha maldita. Meu pai estava completamente certo, eu só quero ser igual o Cazuza. Eu sou impregnada dessa mania nojenta de ideais. Eu quero botar meu bloco na rua, e escancarar a verdade feito um tapa na cara de cada um de vocês. Eu quero deixar de preguiça e ler todos os Marx e Neruda e Pessoa que eu puder, pra ter alguma coisa pra falar. Porque eu quero falar tanto, eu quero gritar tanto, eu quero escrever tanto a letra A, que já fico rouca antes da hora.
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