todas as cartas que eu não mandei estão salvas no meu último backup. todas as noites em claro estão presas debaixo do meu colchão. todos os amores que eu não vivi estão escondidos no fundo das gavetas. toda a dor, no fundo dos armários. todas as mágoas e desejos estão soterrados sob uma pilha de papéis dentro de um baú lacrado por uma fechadura imaginária. e eu não faço a mínima ideia de onde guardei a chave.
eu queria não ter perdido. queria resgatar a preguiça dos meus sorrisos com você. queria silêncio e música alta.
e mais papéis para soterrar ainda mais as coisas, ainda mais coisas.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
turbulência
o certo seria se flutuasse perfeitamente. sem desvios ou escalas não programadas. sem nenhuma agitação desordenada ou buracos entre as nuvens. o certo seria uma espécie de linearidade.
mas não é. na maioria das vezes você não sabe a que veio nem pra onde vai. você se perde em seu próprio caminho. determina destinos que nunca nem sequer ousariam existir. e você programa as coisas, como se elas pudessem ser programadas.
mas, no fim, qual é mesmo o caminho errado? talvez sem momentos de desordem a viagem se tornaria entediante, monótona, e você pedisse pra descer na primeira possibilidade.
talvez seja por isso que existam as turbulências: pra transformar perspectivas. e reafirmar o amor.
mas não é. na maioria das vezes você não sabe a que veio nem pra onde vai. você se perde em seu próprio caminho. determina destinos que nunca nem sequer ousariam existir. e você programa as coisas, como se elas pudessem ser programadas.
mas, no fim, qual é mesmo o caminho errado? talvez sem momentos de desordem a viagem se tornaria entediante, monótona, e você pedisse pra descer na primeira possibilidade.
talvez seja por isso que existam as turbulências: pra transformar perspectivas. e reafirmar o amor.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
pai
ele tem os olhos mais expressivos que eu já conheci. e a voz mais emocionante.
talvez por causa da combinação ele seja também, o melhor contador de histórias.
as histórias mais bonitas que já ouvi, e o melhor jeito de contá-las.
por causa dele, eu acredito até hoje em super-heróis.
talvez por causa da combinação ele seja também, o melhor contador de histórias.
as histórias mais bonitas que já ouvi, e o melhor jeito de contá-las.
por causa dele, eu acredito até hoje em super-heróis.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
você, ou talvez eu
nenhuma daquelas coisas continua igual. agora, e em definitivo, elas já não são mais as mesmas. nem de longe. e nem você.
ou talvez seja apenas você.
talvez agora você possa se impregnar de si mesma.
talvez as portas estivessem sempre abertas e você precisasse não de chaves, mas de óculos.
e talvez agora você se esqueça de medir. da forma mais espontânea possível, sem todo aquele esforço que você fazia, sempre acabando por medir ainda mais. sempre contando, sempre cobrando.
não cobrar é muito mais fácil. só sentir, ainda mais.
e sentir com menos vontade de doer é melhor ainda.
" - a paz de estar em par com deus."
ou talvez seja apenas você.
talvez agora você possa se impregnar de si mesma.
talvez as portas estivessem sempre abertas e você precisasse não de chaves, mas de óculos.
e talvez agora você se esqueça de medir. da forma mais espontânea possível, sem todo aquele esforço que você fazia, sempre acabando por medir ainda mais. sempre contando, sempre cobrando.
não cobrar é muito mais fácil. só sentir, ainda mais.
e sentir com menos vontade de doer é melhor ainda.
" - a paz de estar em par com deus."
sexta-feira, 24 de julho de 2009
em carne-viva
ele tinha se impregnado em todos os lugares. da casa, da rua, dela mesma. tudo lembrava a ele: as vagas na rua, a praça, as luzes, os medos, o vizinho, o elevador, o espelho do elevador, o sofá da sala, a caneca que cabia mais, as louças pra lavar no domingo, a água da geladeira, o espelho do banheiro, a escova de dente dentro do armário, as fotos no mural, o filtro no teto, os livros, o remédio, as roupas, o colar que não estava mais no pescoço, o celular, os números, as gavetas, os planos, os medos, a bolsa nova e as velhas, a foto na carteira, o fundo de tela do computador, os presentes, os sonhos, os travesseiros, os abraços telepáticos, os filhos que iriam ter. o silêncio. as palavras. a espera. a esperança. a vontade. os medos. e o amor.
terça-feira, 30 de junho de 2009
tempo de partir
deve mesmo ser assim, isso que as pessoas chamam de ciclo da vida.
o ciclo natural da vida é ver partir.
partir dessa pra melhor, dessa dimensão pra outra. partir pra outra cidade, outro estado, outro país. trocar de corpo. trocar de rua. de amor. porque trocar também é deixar partir.
o problema definitivamente, é quando todos partem ao mesmo tempo. e não é porque já é quase julho, mas apenas porque é tempo de partir. deixar para trás cômodos, coisas, corações.
de repente todos parecem ir embora, menos você. logo você. você que sempre achou que era a mais desprendida, a que mais quis ir pra longe. você é a que mais está por perto. talvez não estagnada, mas movendo-se aos milímetros. e não aos quilômetros, como você sempre quis. talvez por isso as partidas já não sejam tão sentidas, tão sofridas. e também talvez por isso você as sinta tanto. é contraditório, mas você de fato é assim: disfarça tanto e mente tanto pra si mesma que acredita.
então por fim, sem mais lágrimas, analogias ou o que quer que seja, deixe-os. deixe que partam. corte os cordões umbilicais ou todas as outras formas de ponte.
mas depois e o quanto antes, recosture os laços e emende os retalhos das vidas desprendidas em você.
o ciclo natural da vida é ver partir.
partir dessa pra melhor, dessa dimensão pra outra. partir pra outra cidade, outro estado, outro país. trocar de corpo. trocar de rua. de amor. porque trocar também é deixar partir.
o problema definitivamente, é quando todos partem ao mesmo tempo. e não é porque já é quase julho, mas apenas porque é tempo de partir. deixar para trás cômodos, coisas, corações.
de repente todos parecem ir embora, menos você. logo você. você que sempre achou que era a mais desprendida, a que mais quis ir pra longe. você é a que mais está por perto. talvez não estagnada, mas movendo-se aos milímetros. e não aos quilômetros, como você sempre quis. talvez por isso as partidas já não sejam tão sentidas, tão sofridas. e também talvez por isso você as sinta tanto. é contraditório, mas você de fato é assim: disfarça tanto e mente tanto pra si mesma que acredita.
então por fim, sem mais lágrimas, analogias ou o que quer que seja, deixe-os. deixe que partam. corte os cordões umbilicais ou todas as outras formas de ponte.
mas depois e o quanto antes, recosture os laços e emende os retalhos das vidas desprendidas em você.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
da espera
rabsica enquanto espera. rabisca.
mantém a calma. não liga, não vai embora.
espera. (e não desespera)
não ouve voz onde não tem.
não vê o que não está lá.
não há coração, onde não há.
mantém a calma. não liga, não vai embora.
espera. (e não desespera)
não ouve voz onde não tem.
não vê o que não está lá.
não há coração, onde não há.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
alguma (ou nenhuma) verdade
na verdade, eu liguei porque queria te perguntar até onde vai o amor. mas eu desisti antes mesmo de você atender o telefone. antes mesmo de pensar em perguntar. porque talvez, assim como eu, você não faça a mínima ideia da resposta.
eu até poderia tentar saber sozinha, como venho tentando, mas sempre me dá aquela coisa, sabe? aquilo que me aperta o peito no fuuuundo. aquela angústia tão densa que me dá ânsia de vômito. aquilo que me deixa chata, reclamona e meio birrenta. mas a verdade mesmo, é que eu bem queria saber.
até onde vai a vontade de estar sempre junto, sempre perto, sempre de mãos dadas. sempre qualquer-coisa-desde-que-seja-junto. a mania estúpida de querer dormir abraçando tudo que é seu, pra fingir que já é você. a coragem de fazer tudo errado até que um outro tudo dê certo. até onde vai a saudade desmedida. o coração sempre prestes a se partir. a necessidade de contar, de ouvir, mesmo que seja só pra dormir tranquilo porque ouviu a voz do outro por x minutos.
mas talvez, na verdade, eu não queira saber. afinal de contas, quase sempre, saber pode ser doído ou demorado. pode ser só de um lado. e pode, até mesmo, ser invisível.
eu até poderia tentar saber sozinha, como venho tentando, mas sempre me dá aquela coisa, sabe? aquilo que me aperta o peito no fuuuundo. aquela angústia tão densa que me dá ânsia de vômito. aquilo que me deixa chata, reclamona e meio birrenta. mas a verdade mesmo, é que eu bem queria saber.
até onde vai a vontade de estar sempre junto, sempre perto, sempre de mãos dadas. sempre qualquer-coisa-desde-que-seja-junto. a mania estúpida de querer dormir abraçando tudo que é seu, pra fingir que já é você. a coragem de fazer tudo errado até que um outro tudo dê certo. até onde vai a saudade desmedida. o coração sempre prestes a se partir. a necessidade de contar, de ouvir, mesmo que seja só pra dormir tranquilo porque ouviu a voz do outro por x minutos.
mas talvez, na verdade, eu não queira saber. afinal de contas, quase sempre, saber pode ser doído ou demorado. pode ser só de um lado. e pode, até mesmo, ser invisível.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
monocromático
agora fica assim: preto no branco.
as coisas já não são mais as mesmas, e eu já não sou mais tão crua. pinto minhas muitas cores em meio tons de cinza e você acredita.
as coisas querem se esclarecer. você diz que sim, mas não deixa. eu me esforço, e algumas coisas acabam surgindo: conclusões precipitadas, invenções, deduções, ponto-e-vírgula, pontos-final. mas no fim, vários pontos-final são reticências. só que pra mim já basta delas.
quero mais assim 'pão pão, queijo queijo', mais praticidade, mais realidade, menos fixação. mais contraste na falta de cor.
e as coisas continuam coisas e talvez não queiram se esclarecer. mas nós continuamos falando em metáforas.
as coisas já não são mais as mesmas, e eu já não sou mais tão crua. pinto minhas muitas cores em meio tons de cinza e você acredita.
as coisas querem se esclarecer. você diz que sim, mas não deixa. eu me esforço, e algumas coisas acabam surgindo: conclusões precipitadas, invenções, deduções, ponto-e-vírgula, pontos-final. mas no fim, vários pontos-final são reticências. só que pra mim já basta delas.
quero mais assim 'pão pão, queijo queijo', mais praticidade, mais realidade, menos fixação. mais contraste na falta de cor.
e as coisas continuam coisas e talvez não queiram se esclarecer. mas nós continuamos falando em metáforas.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
páginas em branco, objetos coloridos
sabe quando você já não entende mais? é assim. você já não sabe se é mesmo tão necessário sentir ou ser, e se dá pra acreditar ou não. e isso por si só já é não acreditar. se esforçar pra não doer, dói muito mais do que se imagina. porque afinal, nem se quer se imagina.
é não se afogar na própria dor, se alçar pela própria consciência. mesmo que às vezes o que mais se quer é não ter tanta consciência. ficar imune.
e esquecer. apagar. se apagar. desapegar.
é não se afogar na própria dor, se alçar pela própria consciência. mesmo que às vezes o que mais se quer é não ter tanta consciência. ficar imune.
e esquecer. apagar. se apagar. desapegar.
quarta-feira, 4 de março de 2009
março
já é março... e mais uma vez tudo finge estar parado no lugar. perdidas no tempo e no espaço, as palavras se conjugam no ar que se acumula nos pulmões. vão perdendo seu brilho de bolha de sabão.
mais uma vez tudo estaca na indisciplina do tempo e no excesso de afazeres que poderiam não ter a menor importância. se não fosse você e o outro, e os medos e os planos pra daqui uma semana ou um ano ou sete. se não fosse a vontade de ser.
mais uma vez tudo vira vertigem e sonolência e você não pensa, só pra poder se perder de você. de mim. e se engana nessas máscaras de cristal. absolutamente inúteis. feito carnaval acabado.
tem coisa que não dá pra calcular: até onde vai uma dúvida existencial, até onde o amor pode ser estúpido, até quando vai se deixar costurar essa teia interminável de ilusão, até onde tudo pode não ser só ilusão, até quando vai o sacrifício, até quando vai deixar as pessoas se perderem. até quando um sorvete pode ficar fora da geladeira antes de derreter?
- só até março.
mais uma vez tudo estaca na indisciplina do tempo e no excesso de afazeres que poderiam não ter a menor importância. se não fosse você e o outro, e os medos e os planos pra daqui uma semana ou um ano ou sete. se não fosse a vontade de ser.
mais uma vez tudo vira vertigem e sonolência e você não pensa, só pra poder se perder de você. de mim. e se engana nessas máscaras de cristal. absolutamente inúteis. feito carnaval acabado.
tem coisa que não dá pra calcular: até onde vai uma dúvida existencial, até onde o amor pode ser estúpido, até quando vai se deixar costurar essa teia interminável de ilusão, até onde tudo pode não ser só ilusão, até quando vai o sacrifício, até quando vai deixar as pessoas se perderem. até quando um sorvete pode ficar fora da geladeira antes de derreter?
- só até março.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
sshh
deixa o violão pra lá. esquece esse teclado compulsivo. chega dessa conversa tola e vem. vem e ouve o chiar das panelas, o sussurro dos carros, a textura dos cadernos. escuta o atrito da mão com o papel. ignora os sorrisos amarelos e tenta ouvir a cor do sol e o barulho do ar sacolejando cada uma das células do teu corpo.
(pssh...) ouve.
presta bem atenção nas confissões do teu travesseiro. cola teus ouvidos na tinta das paredes e escuta o som gelado que elas fazem. ouve o engolir em seco, e não a palavra. e se for pra ouvir palavras, ouça as que transbordam das fotografias. encoste o rosto com vontade em cima da mesa de madeira da tua sala de estar, grude seus ouvidos em todas as peças de madeira que encontrar pela frente e escute as vozes que saem de dentro delas. decore cada detalhe das histórias que elas vão contar. sinta o som do sangue a pulsar na ponta dos teus dedos. o do piscar de olhos. o da multidão murmurando, como se dissesse uma coisa só mas em tempos diferentes. ouça com a palma da mão o bater do coração - de outra pessoa.
(pssh...) ouve.
presta bem atenção nas confissões do teu travesseiro. cola teus ouvidos na tinta das paredes e escuta o som gelado que elas fazem. ouve o engolir em seco, e não a palavra. e se for pra ouvir palavras, ouça as que transbordam das fotografias. encoste o rosto com vontade em cima da mesa de madeira da tua sala de estar, grude seus ouvidos em todas as peças de madeira que encontrar pela frente e escute as vozes que saem de dentro delas. decore cada detalhe das histórias que elas vão contar. sinta o som do sangue a pulsar na ponta dos teus dedos. o do piscar de olhos. o da multidão murmurando, como se dissesse uma coisa só mas em tempos diferentes. ouça com a palma da mão o bater do coração - de outra pessoa.
Doriana
ela não sabia quantas vezes ele tinha olhado em seus olhos. talves duas, ou três. talvez mais. ou menos. cerca de duas vezes - e meia, porque a última não conta - nas vinte e sete vezes que tinham se visto. isso ela sabia de cor. vinte e sete vezes em dois meses, ou sessenta e um dias. ele deveria ter um metro e setenta e nove. peso não dava pra saber. duas pintas na bochecha esquerda. na última vez ela o encarou de frente e disse: sessenta dias.
ele não fazia a mínima idéia de a quanto tempo eles se conheciam. parecia muito. e pouco ao mesmo tempo. mas sabia exatamente todas as palavras que ela dissera nestas todas vezes. decorara de tanto repetir as cenas mentalmente. poderia até mesmo imitar seu tom de voz quando pronunciava certas palavras. uma delas era um número: sessenta.
ela nunca sentira tanto calor antes, em toda a sua vida, tinha certeza. nunca suara tanto, nem tivera os cabelos tão curtos e nem roupas tão leves. e mesmo depois de meses e meses debaixo daquele sol quente, ela não conseguira beber nem um gole d'água sem se lembrar da forma morta de sede com que ele bebia qualquer coisa. e olha que lá nem era quente, tinha sempre aquela brisa leve. leve e doce, porque tinha o cheiro dele.
ele ainda sentia frio. mesmo de cueca, meias, outras meias, calça, duas camisetas, blusa de lã, gorro, botas e luvas. pra ele a coisa que mais fazia falta na vida era aquele solzinho e a brisa leve. mas isso foi só até o dia em que a vira pela primeira vez: exatamente debaixo daquele sol, blusa vermelha de manga comprida, como se quisesse inventar o frio. ele bem sonhara em levá-la pra neve. e vestiu mais um casaco, lembrando do cheiro dela.
caminhavam de mãos dadas, serenos. olhos fixos nalguma coisa muito distante dali. não falavam palavra, porque já não era preciso. de longe eles eram, sem sombras de dúvidas, o casal mais bonito do mundo. de perto, o olhar dele era meio irônico e o dela meio neurótico. só pra desmentir. mas bastava a eles estar ali: as mãos bem atadas e o olhar no mesmo ponto distante, por mais que pra chegar até lá perfizessem mentalmente caminhos opostos.
as mãos permaneceriam dadas.
já que afinal, felicidade não tem nada a ver com perfeição ou com comerciais de margarina.
ele não fazia a mínima idéia de a quanto tempo eles se conheciam. parecia muito. e pouco ao mesmo tempo. mas sabia exatamente todas as palavras que ela dissera nestas todas vezes. decorara de tanto repetir as cenas mentalmente. poderia até mesmo imitar seu tom de voz quando pronunciava certas palavras. uma delas era um número: sessenta.
ela nunca sentira tanto calor antes, em toda a sua vida, tinha certeza. nunca suara tanto, nem tivera os cabelos tão curtos e nem roupas tão leves. e mesmo depois de meses e meses debaixo daquele sol quente, ela não conseguira beber nem um gole d'água sem se lembrar da forma morta de sede com que ele bebia qualquer coisa. e olha que lá nem era quente, tinha sempre aquela brisa leve. leve e doce, porque tinha o cheiro dele.
ele ainda sentia frio. mesmo de cueca, meias, outras meias, calça, duas camisetas, blusa de lã, gorro, botas e luvas. pra ele a coisa que mais fazia falta na vida era aquele solzinho e a brisa leve. mas isso foi só até o dia em que a vira pela primeira vez: exatamente debaixo daquele sol, blusa vermelha de manga comprida, como se quisesse inventar o frio. ele bem sonhara em levá-la pra neve. e vestiu mais um casaco, lembrando do cheiro dela.
caminhavam de mãos dadas, serenos. olhos fixos nalguma coisa muito distante dali. não falavam palavra, porque já não era preciso. de longe eles eram, sem sombras de dúvidas, o casal mais bonito do mundo. de perto, o olhar dele era meio irônico e o dela meio neurótico. só pra desmentir. mas bastava a eles estar ali: as mãos bem atadas e o olhar no mesmo ponto distante, por mais que pra chegar até lá perfizessem mentalmente caminhos opostos.
as mãos permaneceriam dadas.
já que afinal, felicidade não tem nada a ver com perfeição ou com comerciais de margarina.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
o amargo da língua
é como se de repente eu não acreditasse em mais nada. e pode parecer um jeito estranho de se começar um primeiro texto de um novo ano, mas é fato. eu não acredito mais nela, nem nele, nem nela, nem neles todos. todas as palavras e atos e até mesmo afetos viraram pó e eu me lembro de todas as vezes em que eu pensei que eu era mais eles do que eu mesma. muito mais. e de certa forma ainda sou, mesmo que às avessas e aos pedaços e não querendo mais ser. o que faz a diferença agora sou mesmo eu, que não acredito mais.
amanheci cética de cansaço de todas as mentiras insistentes que me contam sem cessar, sem me dar o tempo de absorver.
dói o estômago, dói o peito, dói de vontade de gritar pra poder ficar sozinha sem deixar ninguém escapar, pelo menos não antes de ouvir meu grito. dói estômago e o peito e eu não sei mais qual dor vem de onde, quem é o quê e no que eu me transformo nessa história toda.
amanheci cética de cansaço de todas as mentiras insistentes que me contam sem cessar, sem me dar o tempo de absorver.
dói o estômago, dói o peito, dói de vontade de gritar pra poder ficar sozinha sem deixar ninguém escapar, pelo menos não antes de ouvir meu grito. dói estômago e o peito e eu não sei mais qual dor vem de onde, quem é o quê e no que eu me transformo nessa história toda.
sábado, 20 de dezembro de 2008
o buraco negro e a falta de ar
o que eu queria mesmo nem eu sei. mas deve ter gosto de chocolate e café. e talvez um pouco de mel também. tem essa vontade louca de querer tanto ao mesmo tempo. e de quase sempre não querer nada. nada, fora todo o resto.
tem sempre um buraco negro que se abre no meu peito pelas coisas que eu perdi sem nunca ter tido. talvez seja uma espécie de desesperança, ou apenas uma dose de pessimismo e realidade que me contam a verdade desse nunca ter tido. pessimismo e realidade andam quase sempre juntos. e não é que eu seja uma pessoa pessimista, mas é que as vezes eu sou mesmo assim, preto no branco.
tem ainda as coisas que eu tenho, as que eu não tenho, as que eu minto ter. todas elas eu quero. todas, absolutamente todas, por completo, recheadas até a borda. e talvez seja só pra depois ter me arrependido do querer. ou talvez por simples necessidade de se querer alguma coisa, essa necessidade que funciona como guincho, como uma corda que leva a gente pra frente. não querer nada deve ser sem graça porque a gente acaba ficando parado no lugar.
é por isso que eu quero tanto minhas bombas extra de ar, quero vira-tempos pra poder ser quatro de uma vez, quero minha casa, quero colo de mãe, quero fazer alguma coisa que seja verdade, quero escrever alguma coisa que mude a vida de alguém, quero tomar conta de tudo sem ser uma rabugenta por causa disso, quero ser menos chata e boazinha, quero falar bem menos, escrever mais e parar de fantasiar as coisas.
o problema nessa história de querer é que sempre tem umas horas, umas horas tristes e demoradas, onde querer tanto assim incomoda. e dói. e fere porque o espelho reflete as suas duas mãos atadas, sua boca trancada e o seu peito então, nem se fala! ele já é quase que só buraco negro.
e hoje eu não quero ter forças pra procurar meus lápis e canetas coloridos pra pintá-lo. eu não quero querer nada a não ser dormir. eu não quero sair, nem me mexer, por favor me deixem só aqui na minha cama escorregando com o meu edredom cor de rosa, a minha tosse que não passa e meus livros novos me olhando de dentro do armário com cara de dó. eu não quero música nem poesia. e nem ninguém por perto. ninguém que não me abrace até fazer passar todo o meu mal e toda a fome do mundo, que não me diga o quanto não se importa que eu chore e que meu nariz escorra tanto enquanto eu choro, que não entenda quando eu acordar no meio da noite querendo recomeçar toda essa crise, e que não me ache uma louca por acordar amanhã sem nem me lembrar de toda a falta de ar que eu senti hoje.
tem sempre um buraco negro que se abre no meu peito pelas coisas que eu perdi sem nunca ter tido. talvez seja uma espécie de desesperança, ou apenas uma dose de pessimismo e realidade que me contam a verdade desse nunca ter tido. pessimismo e realidade andam quase sempre juntos. e não é que eu seja uma pessoa pessimista, mas é que as vezes eu sou mesmo assim, preto no branco.
tem ainda as coisas que eu tenho, as que eu não tenho, as que eu minto ter. todas elas eu quero. todas, absolutamente todas, por completo, recheadas até a borda. e talvez seja só pra depois ter me arrependido do querer. ou talvez por simples necessidade de se querer alguma coisa, essa necessidade que funciona como guincho, como uma corda que leva a gente pra frente. não querer nada deve ser sem graça porque a gente acaba ficando parado no lugar.
é por isso que eu quero tanto minhas bombas extra de ar, quero vira-tempos pra poder ser quatro de uma vez, quero minha casa, quero colo de mãe, quero fazer alguma coisa que seja verdade, quero escrever alguma coisa que mude a vida de alguém, quero tomar conta de tudo sem ser uma rabugenta por causa disso, quero ser menos chata e boazinha, quero falar bem menos, escrever mais e parar de fantasiar as coisas.
o problema nessa história de querer é que sempre tem umas horas, umas horas tristes e demoradas, onde querer tanto assim incomoda. e dói. e fere porque o espelho reflete as suas duas mãos atadas, sua boca trancada e o seu peito então, nem se fala! ele já é quase que só buraco negro.
e hoje eu não quero ter forças pra procurar meus lápis e canetas coloridos pra pintá-lo. eu não quero querer nada a não ser dormir. eu não quero sair, nem me mexer, por favor me deixem só aqui na minha cama escorregando com o meu edredom cor de rosa, a minha tosse que não passa e meus livros novos me olhando de dentro do armário com cara de dó. eu não quero música nem poesia. e nem ninguém por perto. ninguém que não me abrace até fazer passar todo o meu mal e toda a fome do mundo, que não me diga o quanto não se importa que eu chore e que meu nariz escorra tanto enquanto eu choro, que não entenda quando eu acordar no meio da noite querendo recomeçar toda essa crise, e que não me ache uma louca por acordar amanhã sem nem me lembrar de toda a falta de ar que eu senti hoje.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
paradoxo
..Eu vejo em você um paradoxo desesperado. Você é humilde a tal ponto de achar que não consegue nada que realmente quer, e sem querer você mostra um ar superior, que não aceita falhas, que não aceita perder (por mais normal e comum que seja). Pára de se achar pior em tudo, você só é um ser humano, em algumas situações mais vulnerável, em outras mais forte do que eu poderia acreditar. Pára de justificar a vida das pessoas e não facilitar a sua. Permita-se errar, por favor, porque se não sua vida vai ser uma eterna luta consigo mesma."
eu acho que ela tem absoluta razão quando diz que vê em mim um paradoxo desesperado. essa foi a coisa mais sensata que eu já ouvi sobre mim mesma. e foi bom ler isso porque me fez ver que não sou só eu que tenho consciência disto em mim. talvez ela, e até eu, não saibamos a dimensão, mas a exatidão disto eu sei. e ela me pegou de jeito.
(*ela: a exatidão e a dona da poesia no puxão de orelha, da inocência mais sincera, da pureza mais sensibilizante; minha irmã de coração e parceira pra sempre)
eu acho que ela tem absoluta razão quando diz que vê em mim um paradoxo desesperado. essa foi a coisa mais sensata que eu já ouvi sobre mim mesma. e foi bom ler isso porque me fez ver que não sou só eu que tenho consciência disto em mim. talvez ela, e até eu, não saibamos a dimensão, mas a exatidão disto eu sei. e ela me pegou de jeito.
(*ela: a exatidão e a dona da poesia no puxão de orelha, da inocência mais sincera, da pureza mais sensibilizante; minha irmã de coração e parceira pra sempre)
domingo, 23 de novembro de 2008
três noites mal dormidas
três noites mal dormidas tornam as coisas distantes, distorcidas e um pouco disformes.
a semana começa de perto e apertada, o tempo parece curto e ainda mais curto e tão curto que poderia fácil e delicadamente me engolir. dezenas de coisas para ser entregues, centenas por aprender e provar que foram aprendidas com mérito e êxito, duas palavras que eu não gosto muito não. eu poderia não fazer outro texto sobre o tempo, mas deve ser o surrealismo das coisas, das noites, da falta de sono quando o sono bate, das distorções das coisas e cores abstratas que eu nunca pintaria mas sei ouvir porque ouço a tanto tempo que é pouco tempo, já que como eu já disse o tempo anda curto. mas acontece que tempo não anda, tempo corre. ele é estúpido e totalmente desprendido e independente de mim e só vai devagar quando a gente precisa dele correndo como numa animação de ponteiros de relógio passando na velocidade da luz.
ele só desliza feito lesma quando se tem saudade.
a semana começa de perto e apertada, o tempo parece curto e ainda mais curto e tão curto que poderia fácil e delicadamente me engolir. dezenas de coisas para ser entregues, centenas por aprender e provar que foram aprendidas com mérito e êxito, duas palavras que eu não gosto muito não. eu poderia não fazer outro texto sobre o tempo, mas deve ser o surrealismo das coisas, das noites, da falta de sono quando o sono bate, das distorções das coisas e cores abstratas que eu nunca pintaria mas sei ouvir porque ouço a tanto tempo que é pouco tempo, já que como eu já disse o tempo anda curto. mas acontece que tempo não anda, tempo corre. ele é estúpido e totalmente desprendido e independente de mim e só vai devagar quando a gente precisa dele correndo como numa animação de ponteiros de relógio passando na velocidade da luz.
ele só desliza feito lesma quando se tem saudade.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
o não saber e a falta de cor
(eu bem tentei.)
mas não, você não era o príncipe encantado que eu pensei que era. a não ser que príncipes venham acompanhados de decepções, não-me-toques e pés-atrás. depois eu vi que de fato você não era o tal príncipe porque uma versão mais aprimorada do que isso poderia ser me apareceu. sem cavalo branco nem nada, e sem que eu sequer imaginasse sua identidade secreta.
de você sobrou um sentimento tão tão profundo que chegava a doer. doía de compaixão por você por mim e pelas nossas dores intrínsecas e fingidas. doía de uma coisa tão densa que eu nem sei o nome, mas que me mandava estar sempre por perto. e foi isso que eu fiz. estive sempre ao seu alcance, nem sempre ao meu. e ouvi todas as suas histórias e me apaixonei por cada uma delas e por todas as suas contas de cabeça e cada um dos teus desenhos sem cor.
tantos desenhos sem cor pra nada.
pra serem jogados fora, cuspidos pelo ralo, abandonados em esquinas tão distantes das nossas casas. tão distantes que já é quase impossível lembrar o caminho de volta.
eu não sei mais o nome dos livros que você queria me indicar, nem a cor das suas olheiras, nem seu abraço na blusa de frio, nem se você ainda sofre e finge que não e vice-versa, nem seu ceticismo falso e sua falta de amor mais falsa ainda, porque depois de um tempo você não sabia mais fingir. agora eu sei bem da distância, da falta que eu ainda sinto por mais que me proíba dela, e de todos os dias em que eu me pergunto como é que você pôde se perder de mim, como você pôde ser tão fraco e ainda mais hipócrita do que já era.
eu já nem sei por onde você anda ou qual máscara você vestiu dessa vez. já nem sei de mim, nem de você, e nem do teu coração leviano que não sabe o que fez do meu.
mas não, você não era o príncipe encantado que eu pensei que era. a não ser que príncipes venham acompanhados de decepções, não-me-toques e pés-atrás. depois eu vi que de fato você não era o tal príncipe porque uma versão mais aprimorada do que isso poderia ser me apareceu. sem cavalo branco nem nada, e sem que eu sequer imaginasse sua identidade secreta.
de você sobrou um sentimento tão tão profundo que chegava a doer. doía de compaixão por você por mim e pelas nossas dores intrínsecas e fingidas. doía de uma coisa tão densa que eu nem sei o nome, mas que me mandava estar sempre por perto. e foi isso que eu fiz. estive sempre ao seu alcance, nem sempre ao meu. e ouvi todas as suas histórias e me apaixonei por cada uma delas e por todas as suas contas de cabeça e cada um dos teus desenhos sem cor.
tantos desenhos sem cor pra nada.
pra serem jogados fora, cuspidos pelo ralo, abandonados em esquinas tão distantes das nossas casas. tão distantes que já é quase impossível lembrar o caminho de volta.
eu não sei mais o nome dos livros que você queria me indicar, nem a cor das suas olheiras, nem seu abraço na blusa de frio, nem se você ainda sofre e finge que não e vice-versa, nem seu ceticismo falso e sua falta de amor mais falsa ainda, porque depois de um tempo você não sabia mais fingir. agora eu sei bem da distância, da falta que eu ainda sinto por mais que me proíba dela, e de todos os dias em que eu me pergunto como é que você pôde se perder de mim, como você pôde ser tão fraco e ainda mais hipócrita do que já era.
eu já nem sei por onde você anda ou qual máscara você vestiu dessa vez. já nem sei de mim, nem de você, e nem do teu coração leviano que não sabe o que fez do meu.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
porta-guardanapos
eu fui. afinal, desde quando eu sou de dar pra trás? ou pelo menos era o que eu teria dito se você também estivesse lá. teria dito exatamente isso, sorrindo nervoso e gesticulando engraçado. eu fui, como o prometido como o combinado como tudo tinha sido tão planejado, tão milimetricamente calculado que só poderia não dar certo. eu não acho que tenha dado errado. talvez, afinal, tenha sido essa a sua intenção. de que eu fosse pra me encontrar, não com você, mas comigo. pra eu mesma conhecer meu vestido comprido, minhas sandálias baixas, minha bolsa sem cor e meus cabelos coloridos. talvez mesmo antes, você já quisesse que eu conhecesse meu capuccino com chocolate e contasse todas as pintas das minhas mãos enquanto esperava por você. você me conhecia o bastante pra saber que eu não gostaria de estar ali sozinha, mesmo quando eu dizia que era suficiente e independente pra isso. e aí você quis me deixar ali sozinha, de propósito, pra ver se eu esperaria, pra ver se eu fugiria, pra ver se eu de fato poderia ser assim, só. ou talvez você estivesse ali. me olhando pelos vãos de porta, pelas frestas de luz, escondido atrás das mesas ou pilastras que se colocavam na distância que você construiu entre nós. tão tipicamente você... eu poderia ter te procurado pelos cantos, ter perguntado se alguém tinha te visto, ter deixado a conta pendurada no teu nome. eu poderia ter escrito um poema com teu nome. poderia ter ligado, escrito um anúncio no jornal. eu juro que fiquei ali, sentada, como você me pediu, quase uma pose pra retrato. engolindo aquele cigarro todo. aquele medo todo de você vir. aquela saudade que eu nunca tive, mas que refletia no porta-guardanapos.
eu poderia não ter ido. mas como é que eu ia saber?
eu poderia não ter ido. mas como é que eu ia saber?
terça-feira, 2 de setembro de 2008
em garrafas
todas as minhas palavras estão presas em garrafas. engarrafadas.
e todas as garrafas estão guardadas numa mesma estante, alta e comprida.
às vezes eu estico ao máximo as minhas mãos para poder alcançá-las; às vezes eu fujo delas.
cuspo as palavras que fervilham em mim e as exponho todas, nuas cruas secas feias e frias. ficam todas ali em cima da mesa, gritando por mim. escolho as que não me engasgam, ou as que me engasgam mais, e as engulo outra vez. bebo-as delicadamente. degusto cada sílaba, cada som, cada primeira intenção de significado. é preciso digerí-las. e aí sim elas estão prontas.
vomito-as lindas, com linhas, entrelinhas, linhas tortas. e elas dançam sem medo e com vontade, giram, jogam os braços pro ar, sentem a sutileza dos ventos entre seus contornos.
e aí, nesse momento de encanto estrelar eu as absorvo. e quem sabe muito duramente, as entendo. só às vezes entendo porque vieram, mas sempre sei que estão ali. me fazem companhia noite a dentro, dia a fora. perpetuam-se e propagam-se no mesmo ar de que foram feitas. seguro suas mãozinhas frágeis, como numa ciranda, e as aprisiono ali: nas garrafas.
que é pra poder vê-las de todo e qualquer lugar que eu vá. que é pra poder deixá-las em paz. que é pra poder deixá-las brilhar.
e todas as garrafas estão guardadas numa mesma estante, alta e comprida.
às vezes eu estico ao máximo as minhas mãos para poder alcançá-las; às vezes eu fujo delas.
cuspo as palavras que fervilham em mim e as exponho todas, nuas cruas secas feias e frias. ficam todas ali em cima da mesa, gritando por mim. escolho as que não me engasgam, ou as que me engasgam mais, e as engulo outra vez. bebo-as delicadamente. degusto cada sílaba, cada som, cada primeira intenção de significado. é preciso digerí-las. e aí sim elas estão prontas.
vomito-as lindas, com linhas, entrelinhas, linhas tortas. e elas dançam sem medo e com vontade, giram, jogam os braços pro ar, sentem a sutileza dos ventos entre seus contornos.
e aí, nesse momento de encanto estrelar eu as absorvo. e quem sabe muito duramente, as entendo. só às vezes entendo porque vieram, mas sempre sei que estão ali. me fazem companhia noite a dentro, dia a fora. perpetuam-se e propagam-se no mesmo ar de que foram feitas. seguro suas mãozinhas frágeis, como numa ciranda, e as aprisiono ali: nas garrafas.
que é pra poder vê-las de todo e qualquer lugar que eu vá. que é pra poder deixá-las em paz. que é pra poder deixá-las brilhar.
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